Líder paramilitar sudanês condenado a pena de morte à revelia

Um tribunal do Sudão condenou à morte, à revelia, o líder das Forças de Apoio Rápido, paramilitares, Mohamed Hamdan Dagalo, e outras 15 pessoas, por contumácia, pelo assassínio do governador do Darfur Ocidental e por crimes de guerra e contra a humanidade e incluindo genocídio, no contexto da guerra que eclodiu em Abril de 2023.
O caso centrava-se no assassínio de Jamis Abakar pouco depois de as RSF terem assumido o controlo de Geneina, a capital do Darfur Ocidental, nas primeiras fases do conflito.
Segundo peritos das Nações Unidas, estima-se que entre 10.000 e 15.000 pessoas foram assassinadas na cidade, principalmente membros da comunidade masalit.
O Tribunal Antiterrorista e para Crimes contra o Estado de Porto do Sudão indicou que tanto o líder das RSF, conhecido como “Hemedti”, como os restantes condenados são responsáveis por “crimes contra a humanidade”, antes de acrescentar que os seus actos foram cometidos “como parte de um ataque generalizado e sistemático contra a população civil, no âmbito de um plano coordenado destinado a exterminar um grupo étnico”.
O juiz Mohamed al Amin especificou que “mulheres, crianças, idosos e doentes foram assassinados dentro de hospitais” e recordou que Abakar foi assassinado enquanto se encontrava sob custódia, tendo afirmado que estes crimes cometidos pelas RSF em Darfur “foram motivados pelo ódio étnico contra a comunidade masalit”, segundo noticiou a agência estatal de notícias sudanesa, SUNA.
A sentença, proferida por um tribunal que opera sob o comando do Exército, é a primeira desde o início da guerra.
Entre os condenados encontram-se também um irmão de “Hemedti” e o “número dois” das RSF, Abdelrahim Hamdan Dagalo, bem como outros altos responsáveis do grupo paramilitar e líderes tribais de comunidades árabes do Darfur Ocidental.
O conflito eclodiu em Abril de 2023 devido às fortes divergências em torno do processo de integração do grupo paramilitar no seio das Forças Armadas, situação que provocou o descarrilamento da transição iniciada após a derrubada, em 2019, do regime de Omar Hasán al Bashir, já enfraquecido na sequência do motim que derrubou o então primeiro-ministro, Abdalá Hamdok.



