Líderes africanos defendem unidade e mobilização de recursos para acelerar Agenda 2063

Os líderes da União Africana defenderam esta quarta-feira, 3, em Addis Abeba, na Etiópia, a necessidade urgente de reforçar a mobilização de recursos financeiros e humanos, bem como aprofundar a unidade entre os Estados-membros, para garantir a concretização dos objectivos da Agenda 2063, o plano estratégico de desenvolvimento do continente.
A posição foi apresentada durante a abertura da 52.ª Sessão Ordinária do Comité de Representantes Permanentes (PRC), que antecede a 49.ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo da União Africana e a 8.ª Reunião de Coordenação Semestral entre a organização continental, as Comunidades Económicas Regionais e os Mecanismos Regionais, prevista para este mês, no Egipto.
Na sua intervenção, o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, alertou para os múltiplos desafios que afectam o continente, incluindo tensões geopolíticas internacionais, instabilidade macroeconómica, atrasos na importação de fertilizantes, conflitos armados e emergências sanitárias, como surtos de Ébola.
O responsável destacou ainda que factores externos continuam a afectar os planos de desenvolvimento africanos, exigindo maior capacidade de resposta e coordenação entre os países-membros.
Apesar das dificuldades, Mahmoud Ali Youssouf garantiu que a Comissão da União Africana continuará a implementar medidas de contenção financeira e revelou que o orçamento da organização para 2027 será marcado por uma política de austeridade.
Segundo o dirigente, a União Africana opera actualmente com apenas 30% do pessoal necessário e dispõe de cerca de um quarto dos recursos financeiros considerados ideais para executar os seus programas.
Perante este cenário, apelou a uma maior solidariedade e apoio material dos Estados-membros, defendendo que o sucesso da Agenda 2063 depende de um compromisso mais forte dos governos africanos.
Por sua vez, o presidente do Comité de Representantes Permanentes e embaixador do Burundi na Etiópia, Willy Nyamitwe, apelou à unidade e à responsabilidade colectiva dos países africanos.
O diplomata advertiu que interesses nacionais não devem comprometer os objectivos comuns do continente e defendeu decisões capazes de melhorar concretamente as condições de vida dos cidadãos africanos.
“História julgará não os discursos, mas a capacidade de fortalecer as instituições e escolher a solidariedade em vez da divisão”, afirmou.
A reunião reúne representantes dos Estados-membros, comissários da União Africana e altos responsáveis da organização, que deverão analisar relatórios sectoriais e preparar as decisões a serem submetidas à próxima sessão do Conselho Executivo da União Africana, marcada para os dias 24 e 25 de Junho, em El Alamein.


