Mais de 250 ugandeses retirados da África do Sul devido a xenofobia

Pretória - Pelo menos 255 cidadãos ugandeses chegaram hoje ao Uganda provenientes da África do Sul, informou o Governo ugandês, elevando para 560, o total de repatriados, segundo a publicação da Embaixada do Uganda em Pretória na rede social X.
A violência xenófoba tem sido acompanhada por manifestações de grande dimensão contra a imigração ilegal, levando vários países vizinhos a activar mecanismos de repatriamento dos seus nacionais, revela a Lusa.
"Para muitos, foi mais do que um simples voo de regresso a casa. Foi uma viagem da incerteza para a segurança. Quando as portas do avião se abriram no Aeroporto Internacional de Entebbe, lágrimas de alívio, abraços calorosos e profunda gratidão marcaram a zona de chegadas, enquanto familiares e representantes do Governo davam as boas-vindas aos repatriados de regresso à Pérola de África", acrescentou o Governo ugandês.
As principais cidades sul-africanas foram recentemente palco de manifestações que reuniram milhares de pessoas, muitas delas trajando vestuário tradicional zulu e empunhando chicotes e bastões, para exigir a saída do país de migrantes ugandeses, zimbabweanos, nigerianos e moçambicanos, a quem responsabilizam pela dificuldade em encontrar emprego num país com uma taxa de desemprego de 32%.
"A escalada de actos hostis é motivo de profunda preocupação. O Quénia manifesta a sua confiança na continuação da protecção dos seus cidadãos, bem como de todas as pessoas sob a jurisdição da África do Sul", afirmou o ministério queniano num comunicado divulgado esta semana.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ordenou o destacamento de mais de três mil militares durante um mês em todo o país para garantir a ordem pública, perante protestos que os organizadores prometem realizar semanalmente.
As tensões xenófobas constituem um problema recorrente na África do Sul e têm frequentemente desencadeado vagas de violência, sobretudo nos bairros mais desfavorecidos.


