Mali enfrenta nova vaga de violência com ataques em múltiplas frentes

O Mali voltou a registar uma escalada de violência armada, após ataques coordenados contra posições militares em várias regiões do país, incluindo a capital Bamako e outras cidades estratégicas como Kati, Gao e Mopti.
De acordo com o exército maliano, grupos armados lançaram uma ofensiva de madrugada contra quartéis e infra-estruturas militares em diferentes frentes, desencadeando confrontos que ainda decorrem em alguns pontos do território. As autoridades militares afirmam estar a trabalhar para “neutralizar os atacantes” e pedem à população que mantenha a calma e a vigilância.
Em Bamaco, relatos de residentes e jornalistas no terreno indicam intensos tiroteios, incluindo disparos de armas pesadas nas proximidades do Aeroporto Internacional Modibo Keita, uma das infra-estruturas estratégicas da capital. Helicópteros militares foram mobilizados para patrulhamento aéreo e apoio às operações terrestres.
Na localidade de Kati, área sensível por albergar a residência do líder da junta militar, Assimi Goïta, também foram registados confrontos, elevando o nível de alerta das forças de segurança.
Até ao momento, nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques. No entanto, o país enfrenta há anos uma intensa instabilidade ligada à presença de grupos armados associados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, que operam em várias zonas do Sahel.
O Mali, juntamente com o Níger e o Burkina Faso, integra uma região marcada por conflitos persistentes, onde sucessivos golpes militares e mudanças políticas alteraram o equilíbrio das alianças internacionais, incluindo o afastamento de parceiros ocidentais e a aproximação à Rússia no combate ao extremismo.
Apesar das novas estratégias de segurança, analistas alertam que a situação continua a deteriorar-se, com aumento da frequência e da coordenação dos ataques, além de denúncias de abusos e impactos sobre populações civis.
As operações militares prosseguem no terreno, enquanto o país enfrenta mais um episódio crítico na sua já prolongada crise de segurança.


