Médicos Sem Fronteiras alertam para crise humanitária em Moçambique

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou para uma crise humanitária no distrito de Mogovolas, província de Nampula, no norte de Moçambique.
Em relatório divulgado pela MSF e citado pela agência Lusa, a situação resulta de uma combinação crítica entre fenómenos climáticos extremos, infra-estruturas de saúde frágeis e doenças negligenciadas.
Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, as épocas de chuva têm inundado os campos agrícolas, danificado estruturas básicas e promovendo a propagação de doenças como esquistossomose e filariose linfática, ambas com baixo investimento em pesquisa e financiamento internacional.
Desde 2022, a MSF presta apoio a centros de saúde em oito localidades da região, para o reforço da assistência médica.
De acordo com a mesma fonte, o documento refere que, entre 2022 e 2024, foram diagnosticados e tratados cerca de 19.700 casos de doenças tropicais negligenciadas, incluindo sarna, esquistossomose geniturinária e filariose linfática.
Nesse período, o relatório informa, igualmente, que foram feitas 45 mil consultas médicas e 1.800 transfusões de sangue, maioritariamente em doentes com anemia grave provocada por malária.
Para reforçar a resposta a emergências, os MSF instalaram um banco de sangue no centro de saúde de Nametil.
A organização destaca que estas doenças persistem não por serem intratáveis, mas por falta de investimento e atenção, afectando comunidades pobres e isoladas.
Os MSF mantêm ainda projectos activos em Moçambique, incluindo na província de Cabo Delgado, com foco em surtos epidémicos e em fenómenos climáticos extremos, pode ler-se na publicação.


