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De acordo com a investigação publicada agora, da autoria dos jornalistas Shlomi Eldar e Ruti Yuval, Benjamin Netanyahu poderia, se quisesse, ter evitado o ataque do Hamas e da Jihad Islâmica e a subsequente invasão de Gaza e o genocídio da sua população que se prolonga até aos dias de hoje.
Segundo esta "bomba" do Haaretz, atirada para o meio da campanha eleitoral de Netanyahu, e que deverá demolir quaisquer possibilidades que este ainda tivesse de manter o cargo nas eleições de 27 de Outubro, o primeiro-ministro foi avisado para a iminência do ataque da resistência palestiniana pelo Presidente dos Emiratos Árabes Unidos (EAU).
O Presidente Sheikh Mohammed bin Zayed, avança esta investigação, ligou a Benjamin Netanyahu 10 dias antes da invasão do sul de Israel pelos combatentes das Brigadas Al Aqsa, o braço armado do Hamas e da Jihad Islâmica de 07 de Outubro, detalhando a informação que se veio a revelar factual durante 45 minutos de conversa telefónica.
À qual Netanyahu resolveu não dar credibilidade ou escolheu mudar o "chip" e optar por uma estratégia que, como se viu, lhe permitiria lançar, como há muito desejava, tal como os seus aliados da coligação de Governo mais radicais, uma operação militar de grande envergadura sobre Gaza.
Com essa invasão dos combatentes palestinianos o chefe do Governo israelita ficava com a justificação que precisava para fazer o que há muito desejava, que era juntar uma gigantesca máquina militar para avançar sobre Gaza e os seus 2,3 milhões de habitantes aglomerados em menos de 365 kms2, uma das maiores densidades populacionais do mundo.
Mas esta notícia está longe de ser a primeira vez que este tipo de anomalia é admitida nos media internacionais, como, entre outros exemplos, o Novo Jornal mostrava já em 2024.
Embora Netanyhau e o seu Executivo já tenham negado o resultado da investigação dos jornalistas jornalistas Shlomi Eldar e Ruti Yuval, do Haaretz, os factos alinham-se com a realidade que se conhece em gaza desde Outubro de 2023, porque Mohammed bin Zayed lhe disse inclusive que o que estava para acontecer levaria à desestabilização total da região.
Por detrás do alerta que o líder dos EAU fez chegar a Benjamin Netanyahu, segundo o Haaretz, está uma mensagem que o líder do Hamas de então Yahya Sinwar, depois abatido pelos israelitas, fez chegar a algumas figuras da região ameaçando com um "cataclismo" em Israel, que depois de depurada se transformou na informação enviada para Telavive sobre o ataque de 07 de Outubro.
Com esta informação já nas capas dos maiores jornais do mundo e nos canais de TV internacionais, as perspectivas de Netanyahu se manter no poder, onde já está periclitante, e à mercê dos mais radicais dos políticos israelitas, são agora, segundo quase todos os analistas, incluindo israelitas e próximos do Likud.
É que se Benjamin Netanyhau já estava nas mãos dos radicais da extrema-direita Ben Gvir, ministro da Segurança Interna e líder do ultra-nacionalista Partido Otzma Yehudit, e Bezalel Smotrich, do Partido Sionista Religioso, agora, com esta "bomba" nas mãos, o seu destino político pode e deverá estar traçado.
Recorde-se que Netanyahu é um dos férreos defensores da manutenção da guerra dos EUA contra o Irão, tendo mesmo sido por sua ordem que esta terá começado a 28 de Fevereiro, porque em "estado de guerra" as suas probabilidades de ganhar eleições seriam mais elevadas que em situação de paz.
Agora, todo o tabuleiro deste complexo jogo de xadrez virou e o mais provável é que Netanyahu fique sem as muletas Gvir e Smotrich para poder continuar a jogar, porque, além desta "granada" político-eleitoral, o ainda primeiro-ministro tem à ilharga um documento demolidor assinado por quatro líderes da oposição.
Como nota a CNN International, Gadi Eisenkot, Naftali Bennett, Avigdor Lieberman e Yair Golan, líderes dos quatro maiores partidos da oposição, assinam um documento onde exigem que a justiça israelita abra uma investigação de emergência para apurar "com todos os pormenores" os actos de Benjamin Netanyahu neste processo.
"O público israelita tem o direito de saber o que é que Netanyhau sabia antes do 07 de Outubro, quando soube, e porque é que nada fez para impedir uma tragédia alertando os serviços de segurança de forma a proteger a população civil", diz a oposição em bloco neste documento.
Recorde-se que (ver links em baixo), a 07 de Outubro, segundo números oficiais, morreram, no assalto do Hamas, 1200 israelitas, na maioria civis, dando essa operação das Brigadas Al Aqsa início à mais sangrenta resposta militar israelita que ainda perdura sob um rasto de mais de 75 mil palestinianos mortos, mais de 130 mil feridos, por cima de um território totalmente destruído e mais de 2 milhões de pessoas a viver sob condições marcadas por dificuldades extremas de saúde, alimentação ou água potável.
Essa gigantesca operação militar israelita, que contou com o apoio dos EUA e dos seus aliados ocidentais, embora esteja agora a ser procurada uma solução pacífica liderada pelo Presidente norte-americano Donald Trump, foi o motivo para a abertura de diversos processos na justiça internacional onde os líderes israelitas foram acusados de genocídio.
Tanto o Tribunal Penal Internacional como o Tribunal Internacional de Justiça (ONU) deram início a processos e encontraram indícios de genocídios nas provas apresentadas por um grupo de países, por iniciativa da África do Sul (ver links em baixo), sendo que actualmente Benjamin Netanyhau e o seu antigo ministro da Defesa, Yoav Gallant, têm a pender sobre as suas cabeças mandados de captura internacionais.



