Mondlane Devolveu A Política Ao Eleitor

Venâncio Mondlane deu corpo às balas, colocou-se no meio dos mais de 13 milhões de moçambicanos pobres. Desempregados, desmobilizados e discriminados. Partilhou os seus gemeres e os sentires. Carimbou uma nova forma de fazer política. Não acreditou que o lobo por não comer galinhas por três dias, tenha virado vegetariano…
Preteritamente havia lançado vários desafios, para a seara jurídica nacional. Apelou à revogação das normas constitucionais antidemocráticas. Sugeriu a equidade da maioridade civil. Clamou a relevância do Conselho de Estado, com novo figurino legal.
Lançou a tese da criação de um Tribunal Eleitoral. Clarificou a lógica de um Pacto de Regime, na senda de um amplo debate entre todas as forças vivas do país. Notificou a urgência da elaboração de uma nova constituição de viés afro-moçambicana.
Hoje a maioria dos cidadãos africanos que pugna por mudanças eleitorais efectivas, reivindicação cidadã, manifestação pacífica interventiva, grito de liberdade e democracia plena, não pode deixar de escrutinar os actos de empatia mobilizadora de Venâncio Mondlane…
Ele devolveu a política aos cidadãos, em 2024.
Ele emprestou uma nova forma de fazer política, reivindicando com a força das palavras, a blindagem da voz e os pilares da empatia e convencimento. Mondlane não recorre às armas. Mas à imagem. Apela ao pacifismo. À verdade eleitoral. A órgãos de soberania despartidarizados. À democracia de alternância baseada, na vontade soberana do cidadão eleitor… Nega o eleitor informático, plantado pelo Excel da fraude, da UIR, da CNE do Conselho Constitucional…
O seu grito jovem descomprometido com a corrupção e as benesses circunstanciais, aceites por políticos chiclete, abraçava (2024) e abraça a causa de indignação e discriminação de milhões de moçambicanos, expressamente, excluídos do centro do Orçamento, desde 1975.
Eles (os milhões) decidiram, após a batota eleitoral de Outubro de 2024, transformar as ruas e avenidas em verdadeiras faculdades da indignação, travando uma luta contra as armas e canhões que alimentam um regime avesso à transparência e a democracia…
O mundo viu. O ocidente foi cúmplice. É cúmplice! Da fraude eleitoral de 2024.
A União Europeia foi omissa aos assassinatos de inocentes. Eles defendem a “democracia dos minerais”, que se resume na defesa de líderes que lhes garantem a rapina das matérias-primas dos países africanos, antigas colónias, a baixo custo…
Mondlane denunciou. Lutou, sem o apoio dos países ocidentais que se pavoneiam defensores das liberdades e democracia. Portugal e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, constitucionalista, são e foram uma verdadeira fraude. Defendem as ditaduras. Os ditadores.
Mas, diante da luta desigual, Moçambique e os restantes países de África não conseguiram ficar indiferentes ao novo fenómeno (Mondlane + juventude) que devolveu a política aos moçambicanos.
O novo líder rejeitou a violência brutal das forças policiais e militares (que assassina(va)m e prendem), hasteando livros da lei e cláusulas pétreas da Constituição.
A Polícia, os militares a CNE ficaram cunhados nos discursos do presidente do Tribunal Supremo e do Bastonário da Ordem dos Advogados, como responsáveis pelos assassinatos, prisões arbitrárias e subversão das regras eleitorais. Tudo que Venâncio Mondlane, isolado, denunciava.
Agora todos ficaram, mais uma vez, com a noção da cumplicidade de certos órgãos do regime, como a Presidência da República, a FRELIMO, o Conselho Constitucional, as organizações europeias e americanas, quando no nosso continente, emergem lideranças comprometidas com o combate à pobreza, fome, analfabetismo e aposta num verdadeiro sistema de educação, justiça, democracia e desenvolvimento.
Um compromisso irrevogável com a transformação das matérias primas no país.
O Ocidente, em 2022 em Angola e em 2024, em Moçambique deixou claro ser um acérrimo defensor de autocracias e ditaduras africanas, que oprimem os seus povos.
Os exemplos da ascensão fraudulenta de longevos, incompetentes e assassinos ditadores, com direito a tapete vermelho nos areópagos europeus, estão à mão de semear…
Felizmente, a coluna vertebral erecta de um líder, a sua coerência, resiliência e o tempo demonstram, agora, a bússola da verdade. O desfraldar das folhas das liberdades, nas calçadas mentais de milhões, a fazerem morada em várias latitudes do Estado, tais como:
– A necessidade de se regular a idade civil plena dos cidadãos para 18 anos, ao invés da actual dualidade (21-18), foi reconhecida como pertinente, pelo presidente do Tribunal Supremo;
– A politização da norma constitucional, por parte do Conselho Constitucional, quanto à dupla função do Presidente da República (igualmente) presidente da Frelimo;
– Da criminalização das manifestações, direito constitucionalmente consagrado;
– Prisões arbitrárias e assassinatos com impunidade, por forças de defesa e segurança;
– Permanência de tropas estrangeiras em Cabo Delgado, ao arrepio da Constituição;
– Diálogo inclusivo com exclusão da voz da maioria…
Estes factos evocados pelo bastonário da Ordem de Advogados, na abertura do ano judicial de 2026, blindam a visão pragmática de Venâncio Mondlane e de todos quantos nele creem.
A defesa hercúlea das liberdades, da verdade eleitoral, do direito à manifestação, a consolidação de uma democracia participativa e a uma comprometida aposta num sistema de educação forte, assente em escolas técnico-profissionais, que valorize as línguas, culturas e tradições dos vários povos autóctones, distinguem Mondlane dos demais.
Ele ambiciona garantir em dois anos, um plano de autonomia e desenvolvimento agroindustrial das regiões, que devem capitalizar, com recursos financeiros internos, para a transformação das matérias-primas locais.
Por tudo isso pode-se afirmar que devolvida a política aos povos autóctones, Moçambique tem assistido a um aumento exponencial da literacia político-social dos jovens, desempregados, desmobilizados e discriminados, que impõem uma severa revogação do actual sistema partidocrata, que é pernicioso.
A juventude irmanada em Mondlane quer equidade, por isso grita a plenos pulmões: “Este país é nosso!”
É o grito de liberdade de que tanto Moçambique (e Angola) carece(m), depois de 50 anos de independência material, verdadeira “carta de alforria”, outorgada pela antiga potência colonial (Portugal), a partidos anti-democráticos e autocráticos.
O grito dos povos quer o hastear de uma nova bandeira, um novo hino e a proclamação, por verdadeiros patriotas e nacionalistas da INDEPENDÊNCIA IMATERIAL de que tanto carecem.


