Mortes associadas ao calor aumentam 55% entre pessoas dos 45 aos 64 anos em França

Embora as pessoas com 75 ou mais anos continuem a ser as mais afetadas pelas temperaturas extremas, os especialistas consideram particularmente preocupante o facto de o aumento da mortalidade ter sido observado em todas as faixas etárias a partir dos 15 anos, tornando esta vaga de calor um fenómeno sem precedentes recentes.
De acordo com a Santé publique France, o episódio de calor extremo provocou, no total, 5.764 mortes em excesso, o maior número registado desde a histórica canícula de 2003. Cerca de dois terços das vítimas tinham 75 ou mais anos, sobretudo entre 25 e 27 de junho, quando as temperaturas atingiram os valores mais elevados.
A agência explica que os dados ainda são provisórios e que será necessária uma análise mais aprofundada para determinar quantas destas mortes podem ser diretamente atribuídas às temperaturas extremas. A avaliação final deverá ser apresentada no outono.
Na região de Paris, uma das mais afetadas pela vaga de calor, a mortalidade duplicou em relação aos níveis habituais, com o registo de 1.999 óbitos durante o período analisado.
Os números têm alimentado o debate político em França, com partidos da oposição a acusarem o Governo de não estar suficientemente preparado para responder aos impactos das alterações climáticas. O Executivo, por sua vez, sublinha que, apesar da gravidade da situação, a mortalidade registada permanece muito inferior à da vaga de calor de 2003, que provocou cerca de 15 mil mortes em excesso.
A Santé publique France alerta que o balanço poderá ainda aumentar, uma vez que algumas mortes inicialmente classificadas dentro da mortalidade normal poderão vir a ser reavaliadas e associadas ao impacto das temperaturas extremas.


