Moscovo - A Rússia optou por dar asilo ao ex-Presidente sírio, Bashar al-Assad, por razões humanitárias após a queda do seu Governo e porque corria risco de vida, afirmou hoje a diplomacia de Moscovo.
Moscovo - A Rússia optou por dar asilo ao ex-Presidente sírio, Bashar al-Assad, por razões humanitárias após a queda do seu Governo e porque corria risco de vida, afirmou hoje a diplomacia de Moscovo.
"Não houve nem há qualquer motivo político por trás da sua admissão no nosso país. A decisão foi tomada exclusivamente com base em considerações humanitárias, dadas as circunstâncias dramáticas que rodearam a mudança de poder na Síria. Ele e os membros da sua família corriam risco de morrer", disse a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, durante uma conferência de imprensa citada pela agência russa TASS.
O antigo líder sírio está exilado na Rússia, desde que foi deposto em Dezembro de 2024 numa ofensiva relâmpago de grupos rebeldes.
Damasco condenou Bashar al-Assad à morte à revelia no início do mês na Síria por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos de guerra civil no país.
A Síria, agora liderada pelo presidente interino e ex-líder do grupo islamita sírio Organização de Libertação do Levante, Ahmad al-Sharaa, tem procurado manter relações cordiais com Moscovo.
Na quinta-feira, Al-Sharaa e o homólogo russo, Vladimir Putin, conversaram por telefone e abordaram o memorando de entendimento que permitirá à Rússia manter duas bases militares na Síria, com uma redefinição das funções.
"Ambas as partes salientaram a importância do memorando de entendimento de 09 de Agosto sobre a reorganização da base aérea de Hmeimim e da base de abastecimento técnico e material de Tartus [nas margens do Mediterrâneo]", anunciou o Kremlin (presidência russa), na sua primeira referência oficial ao acordo, alcançado após um ano e meio de negociações.
Segundo a presidência russa, Vladimir Putin e Ahmad al-Sharaa também "debateram a situação actual e as perspectivas das relações russo-sírias".
O memorando assinado por Damasco e Moscovo no início do mês pôs fim a conversações que se prolongaram por mais de um ano e meio e que tiveram início com a queda do regime de Bashar al-Assad, em Dezembro de 2024.
As bases militares passarão a ser "centros conjuntos de treino e reabilitação", um processo que deverá estar concluído num prazo máximo de três meses.
A base naval de Tartus tem sido utilizada desde a década de 1970, na sequência de um acordo entre a União Soviética e a Síria, enquanto a base aérea de Hmeimim foi construída e utilizada pelas tropas russas em 2015 para reforçar a sua presença na intervenção militar a favor do regime de Bashar Al-Assad.
A queda do regime de Assad em 2024 representou um golpe para a influência de Moscovo na região.
Desde então, Putin tem-se esforçado por estabelecer relações com as novas autoridades de Damasco, apoiadas pelos Estados Unidos.
A Síria declarou-se disposta a cooperar com Moscovo e al-Sharaa foi recebido duas vezes por Putin em Moscovo desde que chegou ao poder. CV



