Níger suspende nove meios de comunicação franceses e ONG denuncia ataque à liberdade de imprensa

O Níger suspendeu a actividade de nove meios de comunicação franceses, numa decisão anunciada pela autoridade reguladora do sector dos media, sob acusações de que as publicações estariam a “ameaçar a ordem pública e a segurança nacional”.
Entre os meios afectados estão a France 24, RFI, TV5 Monde, AFP, TF1 Info, além de outros órgãos como Jeune Afrique e Mediapart.
Entre os meios afectados estão a France 24, RFI, TV5 Monde, AFP, TF1 Info, além de outros órgãos como Jeune Afrique e Mediapart.
A decisão foi justificada pela autoridade reguladora nigerina, o Observatório Nacional da Comunicação do Níger, que afirmou, em comunicado, que a suspensão visa “preservar a paz, a coesão social e a estabilidade das instituições”.
Segundo o regulador, os meios de comunicação visados terão difundido conteúdos considerados “susceptíveis de comprometer seriamente a ordem pública” e de afectar a moral das forças de defesa e segurança envolvidas nas operações no Sahel.
A medida foi, no entanto, duramente criticada por organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa. A Repórteres Sem Fronteiras classificou as acusações como “fabricadas” e denunciou o que descreve como uma estratégia coordenada de repressão à liberdade de imprensa.
O grupo apelou à reversão imediata da decisão, alertando para o agravamento das restrições ao jornalismo na região.
O Níger, assim como os vizinhos Mali e Burkina Faso, é actualmente governado por juntas militares que chegaram ao poder através de golpes de Estado, alegando a necessidade de reforçar a segurança face à expansão de grupos extremistas.
Desde a tomada do poder, estes regimes têm reduzido significativamente a cooperação com a França e outros países ocidentais, ao mesmo tempo que reforçam alianças regionais e aproximam-se da Rússia para apoio militar no combate às insurgências jihadistas no Sahel.


