Nigéria e Ghana pressionam África do Sul após nova onda de violência xenófoba

A Nigéria e o Ghana convocaram representantes diplomáticos da África do Sul em resposta a uma nova vaga de violência xenófoba no país, segundo informações da AFP. A convocação ocorre após Abuja confirmar a morte de dois cidadãos nigerianos durante os protestos.
O governo nigeriano chamou o Alto Comissário sul-africano em Abuja para prestar esclarecimentos sobre os recentes ataques contra estrangeiros, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Nigéria, no sábado, 2 de Maio. De acordo com o porta-voz da instituição, Kimiebi Imomotimi Ebienfa, o diplomata deverá reunir-se com autoridades nigerianas na segunda-feira para discutir “casos confirmados de maus-tratos a cidadãos nigerianos e ataques aos seus estabelecimentos comerciais”.
A iniciativa da Nigéria surge uma semana depois de o Gana ter tomado uma medida semelhante, ao convocar o representante sul-africano em Accra para abordar vários “incidentes xenófobos” envolvendo cidadãos ganenses.
As autoridades sul-africanas garantem que os responsáveis pelos ataques serão responsabilizados judicialmente. A África do Sul, considerada a economia mais industrializada do continente, tem sido historicamente um destino para migrantes africanos. No entanto, o elevado desemprego — acima dos 30% — tem alimentado tensões sociais e sucessivas manifestações contra imigrantes, com episódios recentes de violência.
Dados do instituto nacional de estatística indicam que mais de três milhões de estrangeiros vivem no país, representando cerca de 5,1% da população, sendo a maioria oriunda de países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
O ministro sul-africano da Polícia condenou recentemente os ataques, classificando-os como “ilegais” e contrários aos princípios de dignidade, igualdade e direitos humanos. As autoridades prometeram identificar e deter os autores.
A África do Sul já registou episódios graves de violência xenófoba no passado, incluindo a crise de 2008, que resultou em 62 mortos, além de novos surtos em 2015, 2016 e 2019.
Protestos contra os elevados níveis de imigração ilegal levaram multidões às ruas em Joanesburgo e na capital, Pretória, nesta semana. Os manifestantes negam as acusações de xenofobia e exigem mais rigor no cumprimento das Leis de Imigração e Deportação em massa.
Em reacção, segundo o JA, “as Embaixadas de Angola e da Nigéria na África do Sul, bem como os Governos do Zimbabwe e do Ghana apelaram aos seus cidadãos que vivem no país para evitarem deslocações, manterem a calma e agirem com prudência face às várias manifestações e situações de tensão social contra os imigrantes”, divulgou o Jornal de Angola.


