O que está sobre a mesa das negociações entre EUA e Irão em Islamabad?

As delegações dos Estados Unidos e do Irão iniciaram neste sábado, 11, uma nova ronda de negociações na capital do Paquistão, Islamabad, num esforço diplomático marcado por desconfiança mútua e interesses estratégicos de grande escala.
A confirmação do arranque das conversações foi feita pelo presidente norte-americano, Donald Trump, durante uma conversa telefónica com a jornalista Kellie Meyer. Segundo a repórter, o líder norte-americano confirmou que os contactos “já começaram oficialmente”, evitando, no entanto, pronunciar-se de imediato sobre a boa-fé da parte iraniana.
No centro das negociações está o futuro do estratégico Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de energia. Trump manifestou confiança na reabertura da via marítima “num futuro não muito distante”, apesar de sinais contraditórios vindos da própria administração norte-americana sobre a viabilidade de curto prazo.
A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, chegou a Islamabad na sexta-feira, 10, com um discurso cauteloso. “Temos boas intenções, mas não confiamos”, afirmou, recordando experiências anteriores de negociações com Washington que, segundo disse, terminaram em “fracasso e falsas promessas”.
Do lado norte-americano, a comitiva é chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner. Antes da partida, Vance deixou claro que os Estados Unidos estão abertos ao diálogo, mas alertou para uma postura firme caso Teerão não actue com transparência.
A agenda inclui temas sensíveis como o programa nuclear iraniano — com destaque para o enriquecimento de urânio —, o desenvolvimento de mísseis balísticos e a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Em contrapartida, Teerão procura garantias concretas de Washington para um cessar duradouro das hostilidades.
Tensão no mercado energético
Em paralelo às negociações, Trump afirmou que um “grande número” de petroleiros vazios está a caminho dos Estados Unidos para carregar óleo e gás, sublinhando a capacidade energética do país e a dimensão das suas reservas.
No entanto, declarações recentes revelam inconsistências. De acordo com a Reuters, o presidente norte-americano terá admitido, em privado, que não acredita numa reabertura imediata do Estreito de Ormuz — em contraste com o tom mais optimista assumido publicamente.
Do lado iraniano, autoridades insistem que a rota marítima permanece aberta à navegação civil, embora sob coordenação militar. Ainda assim, relatos indicam uma redução significativa no tráfego desde o cessar-fogo anunciado no início da semana.
Num cenário de elevada incerteza, as negociações em Islamabad surgem como um teste crítico à capacidade de Washington e Teerão superarem anos de rivalidade e desconfiança — com implicações directas para a segurança energética global.


