ONG denuncia recrutamento forçado no Norte da Etiópia

As autoridades regionais de Tigray, no norte da Etiópia, têm vindo a raptar e a recrutar ilegalmente civis, incluindo jovens de 15 anos, para as suas forças, pelo menos desde Abril, afirmou a Human Rights Watch.
Comunidades em vilas e cidades por toda a região relataram que as forças e autoridades de Tigray estavam a raptar ex-combatentes e outros homens e rapazes na rua, em escritórios e em buscas domiciliárias nocturnas, bem como em locais de exploração de ouro, uma importante fonte de emprego para os jovens e rapazes da região, citou a Organização Não-Governamental (ONG). "A campanha das autoridades de Tigray para recrutar à força homens e rapazes para as suas forças está a criar um clima de medo em toda a região", afirmou a directora-adjunta para a África da Human Rights Watch (HRW), Laetitia Bader. "As autoridades devem cessar imediatamente a sua campanha e permitir que as pessoas recrutadas ilegalmente regressem a casa", acrescentou. A HRW documentou seis casos de recrutamento forçado, com base em entrevistas realizadas à distância com 18 pessoas em Junho, incluindo testemunhas, familiares das vítimas e indivíduos que evitaram ou escaparam ao rapto. A campanha de recrutamento seguiu-se a meses de escalada de tensões entre o Governo federal da Etiópia e o principal partido político de Tigray, a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF, na sigla em inglês), explicou a ONG. As duas partes combateram durante o conflito armado de 2020-2022 no norte da Etiópia, que resultou em inúmeras atrocidades, antes de assinarem uma trégua em Novembro de 2022, acrescentou. Por sua vez, frisou, antes de Abril, as autoridades locais tinham recorrido a reuniões públicas, cartas e telefonemas para apelar ao alistamento dos antigos combatentes das Forças de Defesa de Tigray (TDF, na sigla em inglês).


