Nova Iorque - A ONU advertiu segunda-feira para a situação desesperante dos civis no Sudão, onde o conflito está a agravar-se e os assassínios em massa e violações colectivas são já "padrões recorrentes".
Nova Iorque - A ONU advertiu segunda-feira para a situação desesperante dos civis no Sudão, onde o conflito está a agravar-se e os assassínios em massa e violações colectivas são já "padrões recorrentes".
“As consequências deste conflito serão duradouras e deveriam chocar-nos a todos nós”, disse segunda-feira a subsecretária-geral da ONU para os Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, numa reunião do Conselho de Segurança convocada pela Dinamarca para discutir a protecção de civis e as consequências humanitárias do conflito em curso no Sudão.
DiCarlo frisou que os civis enfrentam uma das piores crises humanitárias, lidando com frequentes ataques de drones contra mercados, escolas, postos de combustível e infra-estrutura de água, além da temporada de chuvas.
Cerca de 13 milhões de pessoas fugiram das suas casas, mas as dificuldades de acesso impossibilitaram a confirmação do número real de mortos: "é provável que chegue às centenas de milhares", declarou, citada pela Lusa.
“Assassínios brutais em massa e atrocidades, sequestros de mulheres e meninas e violações colectivas são padrões recorrentes”, alertou.
A guerra no Sudão entre o Exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) causou dezenas de milhares de mortos desde o início, em 15 de Abril de 2023, e forçou o êxodo de milhões de pessoas na pior crise de deslocados e de fome do mundo, segundo a ONU.
No Cordofão do Norte, ataques com drones continuam, enquanto ambos os lados competem pelo controlo de cidades estrategicamente importantes, descreveu segunda-feira DiCarlo, reiterando profunda preocupação com o risco iminente de atrocidades em larga escala por parte das RSF em El Abdede e arredores.
Na mesma reunião, onde discursou por videoconferência, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, indicou que mais de dois terços da população do Sudão precisam desesperadamente de ajuda humanitária para sobreviver.
Segundo Fletcher, a ONU registou 1.400 mortes de civis no primeiro semestre do ano, sendo mais de 1.100 delas causadas por ataques de drones.
No Cordofão Ocidental, epicentro de um recente surto de cólera, a presença da ONU permanece “muito limitada”.
No noroeste de Darfur do Norte, os combates e os ataques com drones continuam a prejudicar o acesso humanitário, enquanto centenas de milhares de pessoas que fugiram das atrocidades em El-Fashir no ano passado permanecem em situação de extrema necessidade em Tawila.
Tom Fletcher defendeu que o Sudão sofre da falta de acção e que o povo sudanês precisa de uma diplomacia firme e corajosa.
“A tragédia do Sudão não é que não saibamos o que fazer. É que ainda não encontramos a vontade de fazê-lo", criticou.
Ainda na mesma reunião, em Nova Iorque, a Dinamarca alertou para a catástrofe que poderá levar à dissolução do Sudão.
"É a destruição de uma nação”, alertou o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen.
“Os sinais eram inconfundíveis, mas foram ignorados”, lamentou o ministro, argumentando que enquanto a violência se espalhava, foi deixando um rasto de atrocidades em massa e sofrimento “numa escala tremenda”.
Rasmussen apelou às partes em conflito para que se sentem imediatamente à mesa de negociações, saudando a melhoria na coordenação entre mediadores e enfatizando que o processo deve ser inclusivo, liderado e conduzido pelos sudaneses.
Instou ainda os doadores a comprometerem-se com mais assistência, anunciando que a Dinamarca contribuiria com 15,6 milhões de dólares, elevando o seu financiamento total para quase USD 105 milhões desde 2023. MCN




