Uma comissão de direitos humanos das Nações Unidas (ONU) alertou, ontem, que a realização das primeiras eleições do Sudão do Sul, este ano, pode alimentar um conflito que se intensifica há meses e aumentar o risco de atrocidades. O Governo anunciou a intenção de organizar as primeiras eleições do país em Dezembro, quase 15 anos após a independência do Sudão.
No entanto, o Sudão do Sul tem assistido a uma intensificação da violência este ano, principalmente entre as forças leais ao Presidente Salva Kiir e as do seu rival histórico, Riek Machar, actualmente preso. “Eleições organizadas sem uma estratégia de consolidação democrática nem de prevenção das fracturas nacionais podem, pelo contrário, alimentar o ressurgimento do conflito e aumentar o risco de crimes atrozes”, alerta, num comunicado, a Comissão de Direitos Humanos do Sudão do Sul, criada pela ONU.
À medida que as eleições se aproximam, "múltiplos factores de risco de crimes atrozes", adverte. O Sudão do Sul declarou formalmente a sua independência a 9 de Julho de 2011, após um referendo sobre a autodeterminação, mas a euforia do seu nascimento como nação foi interrompida apenas dois anos depois, em 2013, por uma sangrenta guerra civil devido à rivalidade entre o Presidente, Salva Kiir, de etnia Dinka (maioritária no país), e o então vice-Presidente, Riek Machar de etnia Nuer.
Este conflito, que rapidamente assumiu conotações étnicas, provocou centenas de milhares de mortos e quase dois milhões de deslocados internos, mergulhando a economia do Sudão do Sul em colapso, apesar das vastas reservas de petróleo.




