Oposição da RDC pede aos EUA suspensão das sanções contra Joseph Kabila

Políticos da oposição na República Democrática do Congo apelaram ao governo dos Estados Unidos para suspender as sanções impostas ao ex-presidente Joseph Kabila, considerando a medida “intempestiva e contraproducente” para os esforços de paz no país.
A reação surge, segundo publicado anteriormente pelo Correio da Kianda, depois de o Gabinete de Controlo de Activos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro norte-americano, ter incluído Kabila na lista de sanções em 30 de Abril, acusando-o de manter ligações com o movimento rebelde AFC/M23, ativo no leste congolês. O antigo chefe de Estado rejeita as acusações e afirma que têm motivações políticas.
As sanções determinam o congelamento de eventuais bens sob jurisdição norte-americana e proíbem transações com entidades dos EUA.
Num comunicado divulgado pelo movimento da oposição “Mouvement Sauvons la RDC”, divulgado pelo jornal Kigali Daily News, várias figuras políticas afirmaram que a decisão se baseia em “acusações sem provas” e acusaram Washington de seguir a narrativa do governo do presidente Félix Tshisekedi.
A oposição considera ainda que as sanções podem comprometer os processos diplomáticos em curso, incluindo as negociações de paz conduzidas em Washington e Doha, destinadas a resolver o conflito no leste da RDC e as tensões entre Kinshasa e Kigali.
Os opositores também criticaram o silêncio dos EUA perante episódios envolvendo Kabila, como o seu exílio, o julgamento à revelia por traição e uma alegada tentativa de assassinato com drone.
Apesar de reconhecer a complexidade da crise congolesa, a coligação insiste que medidas punitivas contra Kabila não ajudam a restaurar a estabilidade e podem aprofundar as divisões políticas no país.


