PAIGC rejeita cumprir decisões do Alto Comando Militar

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) afirmou esta terça-feira que não pretende acatar as decisões do Alto Comando Militar, nomeadamente a exigência de alteração da sua bandeira e dos seus símbolos.
Em declarações à DW África, o porta-voz do partido, Muniro Conté, justificou a posição alegando que as decisões em causa foram tomadas por um órgão que considera ilegítimo, por não resultar de um processo com respaldo popular, na sequência de um golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral e levou à suspensão da Constituição.
Segundo Muniro Conté, o PAIGC entende que não deve proceder a qualquer alteração dos seus símbolos, defendendo que, historicamente, é o Estado da Guiné-Bissau que adoptou os símbolos do partido, uma vez que o PAIGC foi o movimento que conduziu o país à independência.
“É o Estado que deveria mudar a sua bandeira, os seus símbolos e o seu hino, porque todos pertencem ao PAIGC, partido fundador do Estado”, afirmou o porta-voz.
Na mesma entrevista, Muniro Conté abordou ainda o futuro político de Domingos Simões Pereira, as contestações internas no seio do partido, a exigência da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para a formação de um governo inclusivo, bem como as alegadas tentativas de apagar a história do PAIGC e comprometer a continuidade do partido.
O posicionamento do PAIGC surge num contexto de tensão política persistente na Guiné-Bissau, marcado por divergências entre actores políticos e militares e por apelos regionais à estabilidade institucional.


