O Papa Leão XIV alertou, hoje, na República de São Marinho, contra "a idolatria" que corrompe os projetos políticos e económicos que se apresentam sob a bandeira da liberdade, colocando-se como "escravos dos ídolos e do poder".
Segundo a Lusa, o líder da Igreja Católica chegou à república mais antiga do mundo às 8h45 locais, a bordo de um helicóptero proveniente do Vaticano e foi recebido pelos capitães regentes, Alice Mina e Vladimiro Selva, entre outras autoridades.
No seu discurso no Palácio Público da capital do país, o Papa tomou como ponto de partida o lema histórico do país, "Liberdade", para alertar contra "a idolatria que corrompe na sua raiz aqueles projetos políticos e económicos que se apresentam em nome da liberdade, mas que, na realidade, são escravos dos ídolos e do poder".
"Não há verdadeira liberdade civil sem liberdade pessoal" e o Papa considerou que promovê-la implica "defender os espaços da consciência".
Nesta linha, sustentou que a pequena república "pode ser um laboratório de boa política" onde, "sem revogar a laicidade do Estado, se pode recorrer aos princípios da doutrina social católica: a busca do bem comum, o destino universal dos bens, a harmonia entre subsidiariedade e solidariedade, a justiça social".
Na sua intervenção, Leão XIV citou também a sua primeira encíclica "Magnifica humanitas" para recordar que, face às "comunicações impulsivas, às retóricas agressivas e às lógicas de poder que marcam o nosso tempo", a diplomacia deve favorecer o diálogo, mesmo "com os interlocutores considerados mais "incómodos"" ou "não legitimados para negociar".
A visita de Leão XIV realiza-se no âmbito do centenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e São Marinho (1926-2026), uma visita com a qual confirma o vínculo bilateral, seguindo os passos dos seus antecessores João Paulo II, em 1982, e Bento XVI, em 2011.
A agenda do pontífice prossegue com uma visita à Basílica de São Marinho para um encontro com a comunidade eclesial local e, já à tarde, deslocar-se-á a Rimini (norte de Itália) para participar no Encontro pela Amizade entre os Povos.




