Nova Iorque - Uma comissão de direitos humanos das Nações Unidas (ONU) alertou hoje que a realização das primeiras eleições no Sudão do Sul, este ano, pode alimentar um conflito que se intensifica há meses e aumentar o risco de atrocidades.
Nova Iorque - Uma comissão de direitos humanos das Nações Unidas (ONU) alertou hoje que a realização das primeiras eleições no Sudão do Sul, este ano, pode alimentar um conflito que se intensifica há meses e aumentar o risco de atrocidades.
Segundo a Lusa, oGoverno do Sudão do Sul anunciou a intenção de organizar as primeiras eleições do país em Dezembro, quase 15 anos após a independência.
No entanto, o Sudão do Sul tem assistido a uma intensificação da violência este ano, principalmente entre as forças leais ao Presidente Salva Kiir e as do seu rival histórico, Riek Machar, actualmente preso.
"Eleições organizadas sem uma estratégia de consolidação democrática nem de prevenção das fracturas nacionais podem, pelo contrário, alimentar o ressurgimento do conflito e aumentar o risco de crimes atrozes", alerta, num comunicado, a Comissão de Direitos Humanos do Sudão do Sul, criada pela ONU.
O Sudão do Sul declarou formalmente a sua independência a 09 de Julho de 2011, após um referendo sobre a autodeterminação, mas a euforia do seu nascimento como nação foi interrompida apenas dois anos depois, em 2013, por uma sangrenta guerra civil devido à rivalidade entre o Presidente, Salva Kiir, de etnia Dinka (maioritária no país), e o então vice-presidente, Riek Machar, de etnia Nuer.
Este conflito, que rapidamente assumiu conotações étnicas, provocou centenas de milhares de mortos e quase dois milhões de deslocados internos, mergulhando a economia do Sudão do Sul em colapso.
Embora em 2018 as facções rivais tenham assinado o Acordo de Paz Revitalizado, que levou a um Governo de unidade nacional, a implementação de certos pontos-chave - como a unificação das forças armadas e a elaboração de uma Constituição - sofreu constantes atrasos.
Esta paralisia institucional e a persistência da violência inter-comunitária mantêm o país em estado de alerta, estando as eleições gerais marcadas para 22 de Dezembro, depois de terem sido adiadas por diversas vezes devido à falta de garantias de segurança. CQ/MCN




