Peritos da ONU apelam a uma resposta mais robusta ao ébola na RDC

Kinshasa - Dois altos funcionários da ONU apelaram, na quarta-feira, à comunidade internacional para alargar significativamente a resposta ao ébola na República Democrática do Congo (RDC), uma vez que a propagação da epidemia está a avançar mais rapidamente do que a resposta.
Julien Harneis, coordenador sénior da ONU para o Ébola, e Carl Skau, director executivo interino do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, fizeram o apelo numa conferência de imprensa virtual a partir de Bunia, capital da província de Ituri, na RDC — o epicentro do surto de Ébola.
"Nas últimas 24 horas, 50 pessoas morreram de ébola no Congo. E o número de casos está a crescer exponencialmente, duplicando a cada 20 dias. Este crescimento é muito mais rápido do que o da nossa resposta. Assim, o fosso entre a epidemia e a nossa resposta está a aumentar", disse Harneis.
Skau afirmou que o surto de Ébola na RDC é a crise da doença com a propagação mais rápida de que há registo. "Para comparação: nos últimos dois meses, morreram mil pessoas (na RDC). Na África Ocidental, foram necessários oito meses para que mil pessoas morressem."
O conflito prolongado no leste da RDC levou quase 10 milhões de pessoas a níveis de crise ou de emergência de insegurança alimentar; Ituri — o epicentro do surto de Ébola — está entre as áreas mais afectadas, com cerca de 2 milhões de pessoas a necessitar de assistência alimentar, disse Skau.
"A resposta precisa de ser alargada com urgência, com mais financiamento, material, equipas médicas e acesso para chegar a quem deles necessita", disse Harneis, apelando aos Estados-membros para que mantenham as suas fronteiras abertas, permitindo que o pessoal de resposta ao Ébola viaje para o país, que os mantimentos sejam entregues de forma rápida e livre, e que os funcionários que abandonam o país possam regressar a casa.
O plano de resposta humanitária da ONU à RDC requer 2,1 mil milhões de dólares norte-americanos, mas conta apenas com 45% do financiamento necessário, disse Harneis.
Skau afirmou que o PAM necessita de 76 milhões de dólares americanos para a resposta ao Ébola na RDC nos próximos seis meses, acrescentando que este valor cobre apenas a logística, e não os alimentos.


