Maputo - A polícia moçambicana disse hoje que informou o partido Anamola sobre a inexistência de condições para uma marcha em Quelimane, e que usou gás lacrimogéneo para conter ânimos, após alegados insultos às autoridades e apedrejamento de uma viatura policial.
Maputo - A polícia moçambicana disse hoje que informou o partido Anamola sobre a inexistência de condições para uma marcha em Quelimane, e que usou gás lacrimogéneo para conter ânimos, após alegados insultos às autoridades e apedrejamento de uma viatura policial.
Em conferência de imprensa, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na Zambézia, Belarmina Henriques, disse que as autoridades comunicaram ao partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola) que não estavam reunidas as condições para a realização da marcha na cidade de Quelimane, no sábado, uma vez que decorria em simultâneo um festival local.
Segundo a porta-voz, o evento caracterizado por “movimento desusado de pessoas, aglomerado populacional e elevado fluxo de circulação de viaturas”.
Ainda segundo Belarmina Henriques, a polícia apelou ao partido para não avançar com a marcha e limitar as celebrações do primeiro aniversário da sua fundação a um comício, realizado naquele dia, para garantir a realização do festival e evitar o congestionamento das vias públicas.
"Sucede que após o término do 'showmício' não foi tido em consideração o comunicado […] tendo-se observado a organização de uma caravana para efeitos de realização da marcha, o que configurou desacato às autoridades", afirmou.
A PRM acrescentou que a situação se agravou com insultos a agentes e lançamento de pedras contra uma viatura policial, o que motivou o uso de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.
O Amola condenou a acção e acusou as forças de segurança”reprimir o direito constitucional à manifestação”.
O Anamola, fundado pelo político Venâncio Mondlane, contabilizou quatro feridos na sequência de disparos efectuados pela polícia, para dispersar e impedir a marcha de celebração do primeiro aniversário da formação política, em Quelimane, centro do país, exigindo a responsabilização dos agentes envolvidos.
A PRM explicou ainda que, apesar dos apelos para que a marcha não se realizasse, membros e simpatizantes do Anamola adoptaram, alegadamente, "condutas agressivas", incluindo "palavrões dirigidos às autoridades policiais". Segundo a corporação, um dos simpatizantes terá igualmente arremessado pedras contra uma viatura policial, danificando o vidro frontal.
Face à situação, os agentes recorreram ao lançamento de gás lacrimogéneo para "conter os ânimos", cita a Lusa.
"Na sequência da dispersão do gás lacrimogéneo, foi perturbado um enxame de abelhas nas imediações do campo da Sagrada Família, que atacou participantes do evento e feriu gravemente um dos membros e simpatizantes do partido Anamola, que foi prontamente socorrido numa unidade sanitária", declarou Belarmina Henriques.
A responsável rejeitou o uso de armas de fogo contra membros e simpatizantes do partido, sustentando que os disparos efectuados foram exclusivamente de gás lacrimogéneo e duraram apenas cinco minutos.
A Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) instou hoje o Ministério Público a desencadear uma investigação célere e transparente para esclarecer os acontecimentos.
Também os partidos Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), principal força da oposição, e Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) criticaram a autuação da polícia e defenderam uma investigação independente.
Por sua vez, a organização não-governamental Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) denunciou um alegado "tratamento desigual" dos partidos políticos em acções de mobilização, sustentando que iniciativas da oposição têm sido alvo de "restrições ou intervenções das autoridades".
O autarca de Quelimane, Manuel de Araújo, manifestou "profundo choque" com a actuação da polícia, considerando a sua postura "musculada e desproporcional".
Venâncio Mondlane chegou na sexta-feira a Quelimane para participar nas celebrações. À sua chegada, era já visível um forte dispositivo policial nas imediações do aeroporto local.
Mondlane foi eleito, em Junho, presidente do Anamola por unanimidade durante a primeira Convenção Nacional da formação política, depois de ter assumido interinamente a sua liderança desde a criação do partido, em Agosto de 2025. AM




