Portugal: Acidente com Elevador da Glória fez 17 mortos – Começa o apuramento de responsabilidades – Não há, para já, conhecimento de angolanos entre as vítimas

Depois de prestado socorro às vítimas, na maior parte, segundo os media portuguesas, turistas que, nesta altura do ano, são aos milhares na zona de Lisboa onde esta o mais icónico dos vários ascensores sobre carris da capital portuguesa, a atenção está agora centrada no apuramento das causas e das responsabilidades.
Este acidente, que só tem, em Lisboa, nos tempos modernos, comparação com os grandes incêndios no Chiado na década de 1980 na forma como movimentou meios de socorro e fez estremecer os alicerces da política portuguesa, especialmente quando se aproximam as eleições autárquicas.
Isto, porque o actual presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, é o candidato do Partido Social Democrata (PSD), o partido no poder, além de ser a força política de origem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e está no olho do furacão por causa da já bastamente noticiada provável deficiente manutenção do equipamento estar na origem da tragédia.
Embora as investigações, a cargo da Polícia Judiciária (PJ), equivalente em Angola ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), só agora estejam a começar, depois de os últimos corpos terem deixado o sítio ao longo da noite, já se sabe que a carruagem desceu descontroladamente a ladeira após o rebentamento do cabo de aço que a sustem e gere na descida e na subida.
De cada vez, especialmente no Verão, com a afluência gigantesca de turistas de todo o mundo à capital lusa, que sobe e desce, cada uma das duas carruagens transporta 42 pessoas, o que faz com que o eventual excesso de uso e peso possam estar na génese da deterioração acelerada do cabo de sustentação.
A isso acresce a deficiente manutenção que, segundo vários media portugueses, é impossível de escamotear porque, como em muitos outros serviços, em Portugal, está numa frenesim para passar para os privados, e quando tal sucede nem sempre a segurança se sobrepõe ao lucro.
Como relataram várias testemunhas às televisões portuguesas, apesar desta tragédia sem precedentes, alguma "sorte" levou a que uma das carruagens estivesse quase no ponto de saída, o que poupou os seus passageiros a uma situação análoga a outra viatura que estava em fase de descida quando o cabo de aço rebentou.
Para já, quando são em Lisboa, e em Luanda, 09:40, e segundo os últimos dados fornecidos pelas autoridades portuguesas, são já 17 mortos e 23 feridos, pelo menos cinco destes em estado crítico, o que pode elevar ainda mais o balanço trágico deste acidente, havendo entre estes crianças.
E quando, no meio da tumultuosa situação que se gerou com o acidente, ao final da tarde de quarta-feira, se começou a perceber que a deficiente manutenção pode estar na génese da tragédia, como ocorre em tantas ocasiões, foi possível verificar que de um lado e do outro das barricadas políticas se procurou tirar dividendos da situação em bora sem fazer disso, descaradamente, a prioridade, com a oposição a vincar a responsabilidade da autarquia, que tem um papel preponderante na empresa estatal de transportes públicos (Carris) e a oposição, a destacar a questão da alegada manutenção inadequada.
As nacionalidades das vítimas ainda não eram conhecidas na totalidade a esta hora da manhã, mas, até ao momento, não há notícia de que que existam angolanos entre os feridos e os mortos.
Perante este cenário trágico, a câmara de Lisboa decretou três dias de luto municipal e o Governo um dia de luto nacional, esta quinta-feira.'
Os feridos foram levados para os vários hospitais de Lisboa e os mortos para o Instituto de Medicina Legal tendo o Governo despoletado o processo de acionamento da equipa de medicina legal para casos de catástrofes de grandes dimensões, de forma a acelerar as autópsias, que podem ser fundamentais para o apuramento, se não das causas, das consequências deste que é um dos mais graves acidentes na capital portuguesa.
O Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) acionou um plano de contingência e reforçou as reservas de sangue dos hospitais que deram resposta às vítimas do acidente de quarta-feira no elevador das Glória, em Lisboa.
Numa nota enviada na quarta-feira à noite à Lusa, o IPST diz que tem estado a acompanhar a situação das reservas de sangue dos hospitais que deram resposta às vítimas do acidente, que provocou 15 mortos e 23 feridos, para garantir resposta a todas as necessidades que surjam.
Até ao momento, o IPST refere que as existências em sangue e componentes sanguíneos satisfazem as necessidades.
Entretanto, já tiveram alta alguns dos feridos no acidente com o elevador da Glória, que tinham sido assistidos no Hospital de Santa Maria, adiantou à TSF o gabinete de comunicação do Santa Maria.
No local do descarrilamento, perto das 09:45, era ainda possível ainda ver os destroços e a carruagem completamente deitada. Há muitas pessoas que se juntam para ver aquilo que ficou do acidente com o elevador da Glória.
Para já, não há autoridades no local a fazer trabalhos, só está presente a polícia para impedir a circulação na zona envolvente à carruagem que descarrilou.
Partidos políticos reagem a "acidente muito grave" e pedem avaliação ao que aconteceu
As reações de pesar ao acidente no elevador da Glória chegam dos partidos políticos. Na rádio portuguesa TSF, Alexandra Leitão, candidata do Partido Socialista à câmara de Lisboa, deixava uma mensagem de solidariedade às vítimas e família.
"É um acidente muito, muito grave, que nos deve a todos deixar com uma terrível tristeza e com vontade de manifestar esta solidariedade. Depois, há que perceber o que aconteceu, o que falhou, quem falhou. Iremos acompanhar, obviamente, com enorme detalhe e preocupação", afirmou, esperando que as investigações possam revelar o que aconteceu.
O mesmo sublinha João Ferreira, candidato à câmara de Lisboa apoiado pela CDU, que destaca, segundo a TSF, desde logo, a resposta rápida de socorro às vítimas: "Houve uma mobilização rápida de meios para o local também. É fundamental agora que todo o cuidado seja prestado na assistência às vítimas."
Também o candidato do Chega à câmara de Lisboa, Bruno Mascarenhas, diz ter ficado "chocado" com o que aconteceu: "Acho que ainda não é altura para conseguirmos já ter certezas. Acho que era seria altura de uma certa prudência e de avaliarmos o que aconteceu e o porquê, olhando exatamente aquilo que são as deficiências que este sistema tem."


