PR moçambicano reafirma reformas para fortalecer ambiente de negócios

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, desafiou esta Terça-feira o sector privado a assumir um papel central na transformação económica de Moçambique, defendendo que o país deve apostar na produção, industrialização e competitividade para gerar riqueza, emprego e prosperidade.
Na abertura da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), em Maputo, o Chefe do Estado afirmou que o momento exige uma visão estratégica capaz de posicionar Moçambique como protagonista do seu próprio desenvolvimento.
Perante empresários, investidores, parceiros de desenvolvimento, representantes da academia e da sociedade civil, o Presidente moçambicano destacou que a conferência constitui um momento de reflexão nacional sobre o futuro da economia, sublinhando que o país deve aproveitar as oportunidades existentes num contexto global marcado por rápidas transformações tecnológicas e económicas.
“A nossa resposta é clara: queremos um Moçambique que produz, que transforma, compete e prospera”, declarou.
O estadista considerou que o diálogo entre o Estado e o sector privado representa um dos maiores activos institucionais do país, sustentando que nenhuma economia consegue prosperar apenas com recursos naturais.
Segundo afirmou, o desenvolvimento depende da construção de confiança entre instituições públicas, empresas e cidadãos, tornando o diálogo o primeiro investimento que Moçambique deve consolidar.
Abordou igualmente o contexto económico encontrado pelo actual Executivo, tendo referido que o país enfrentava dificuldades de financiamento, escassez de divisas, impactos das manifestações violentas e dos fenómenos climáticos extremos.
Neste quadro, o governante apontou o Diálogo Nacional Inclusivo e o combate à criminalidade, em particular aos raptos, como prioridades para restaurar a estabilidade e melhorar o ambiente de negócios.
“Queremos um Moçambique livre de raptos, um Moçambique livre de crimes, um Moçambique em paz e segurança, de forma que o nosso sector privado possa fazer negócios num ambiente de paz e segurança”, afirmou.
O Chefe do Estado afirmou que as reformas em curso visam tornar o Estado mais eficiente, digitalizar os serviços públicos, simplificar procedimentos e reforçar a confiança dos investidores.
Acrescentou que o objectivo do Governo é criar riqueza através da iniciativa privada, fazendo do sector empresarial o principal gerador de emprego no país.
Na sua intervenção, o Presidente Chapo apresentou a visão de uma economia mais diversificada, defendendo investimentos em sectores como agricultura, indústria, turismo, economia azul, logística, digitalização e infra-estruturas, para reduzir a dependência da exploração de recursos naturais.
Ademais, afirmou que o país deve transformar internamente os seus recursos, criando cadeias de valor capazes de gerar mais emprego e rendimento para os moçambicanos.
O Chefe do Estado sublinhou ainda que a competitividade depende da qualidade das políticas públicas, da previsibilidade jurídica, da estabilidade macroeconómica e da eficiência das instituições.
Neste contexto, apelou à clara separação entre as funções do Estado e do sector privado: “Não podemos ter árbitros que são jogadores”.
Dirigindo-se ao empresariado, o estadista moçambicano reiterou que o Governo continuará a ser parceiro do sector privado, esperando, em contrapartida, investimentos de longo prazo, valorização do conteúdo local, aposta na formação dos trabalhadores e maior inovação.
Manifestou igualmente confiança na capacidade dos empresários moçambicanos para transformar desafios em oportunidades e consolidar empresas mais competitivas.
Na parte final da intervenção, o Presidente da República fez menção ao facto de Moçambique contar actualmente com cerca de 50 mil milhões de dólares em investimentos na Bacia do Rovuma, envolvendo os projectos Coral Sul, Coral Norte, TotalEnergies e Exxon.
Contudo, advertiu que esses investimentos, por si só, não transformarão o país, defendendo que os recursos provenientes da indústria extractiva devem financiar a diversificação económica.
“O que vai mudar Moçambique é a nossa visão de construir uma economia diversificada”, afirmou, antes de declarar oficialmente aberta a XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026).



