Presidente da Bolívia declara o estado de emergência para restaurar normalidade após protestos

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou neste sábado, estado de emergência ao país, como a última medida para restaurar a normalidade, depois semanas de protestos antigovernamentais contra o aumento do custo de vida e as pressões económicas.
Os protestos, apoiados por sindicatos, agricultores e simpatizantes do ex-presidente Evo Morales, exigem a demissão de Paz, por conta da crise política que o país vem registando nos últimos tempos.
Os bloqueios de estradas provocaram escassez de alimentos, combustível e material médico em algumas regiões do país e paralisaram a economia nos últimos 50 dias.
“Tomei medidas para a implementação do estado de excepção, a fim de desobstruir as estradas do país”, justificou no seu discurso à nação.
“Os bolivianos não podem continuar a ser reféns de bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber cuidados médicos, abastecerem-se e levarem alimentos para as suas casas”, disse ainda.
O presidente afirma que esta medida abre caminho para que as forças armadas e a polícia restabeleçam a ordem, acrescentando que o estado de emergência visa “restaurar” a normalidade na Bolívia, onde,”grupos organizados continuam a recorrer à violência para paralisar o país”.
No passado mês de Maio, Paz assinou uma lei que permite às forças armadas intervir em conflitos internos, apesar de afirmado antes que a declaração do estado de emergência seria a última opção caso o diálogo falhasse.
“Depois de esgotadas todas as vias de diálogo, de alcançados acordos com aqueles que tinham reivindicações legítimas e de identificados claramente aqueles que recorreram à violência para tentar desestabilizar a Bolívia, tomámos a decisão de decretar o estado de excepção em todo o território nacional”, explica Paz no seu discurso deste sábado.
O centrista Rodrigo Paz está no poder cargo há sete meses, herdando a pior crise económica que o país viveu numa geração, o que contribuiu para o fim de quase duas décadas de governo de esquerda.
A sua eleição em finais do ano passado marcou uma viragem histórica para aquele país sul-americano, governado quase ininterruptamente desde 2006 pelo Movimento ao Socialismo da Bolívia (MAS).


