O Presidente Bassirou Diomaye Faye confirmou, ontem, o lançamento de um novo partido, chamado “Kiiraay”, após o seu desentendimento público com o seu antigo mentor e ex-Primeiro-Ministro, Ousmane Sonko, que lidera o partido pan-africanista Pastef, ao qual ambos pertenciam e que levou Faye à presidência em 2024.
Faye nomeou Sonko Primeiro-Ministro imediatamente após assumir a presidência, mas a relação acabou por azedar e culminou com a demissão de Sonko, em Maio. Ao anunciar o novo partido, que tem como slogan “Patriotas Republicanos”, Faye disse que este foi construído com base na “República, ética, transparência, fraternidade e trabalho”.
Com a sua retórica pan-africanista, Sonko conquistou seguidores entre os jovens senegaleses após uma disputa de poder com o ex-Presidente, Macky Sall, que governou entre 2012 e 2024.
Sonko e Faye fizeram campanha com base numa plataforma de mudança, prometendo transformação económica, justiça social e combate à corrupção. Mas o colapso na sua relação reflectiu-se nas atitudes de alguns dos apoiantes de Faye. Embora o Kiiraay ainda precise de se provar eleitoralmente, vários membros e activistas do Pastef anunciaram, recentemente, a sua demissão para se juntarem à campanha presidencial. A equipa de comunicação de Faye afirmou que o novo partido realizará um congresso após a estação das chuvas de Verão do país.
Faye deve essencialmente a sua posição como Presidente a Sonko, que quase certamente teria assumido o cargo máximo se não tivesse sido impedido de concorrer às eleições presidenciais de 2024 no país da África Ocidental, devido a uma condenação por difamação. Os dois homens entraram em conflito devido a divergências sobre a forma como o Senegal deveria lidar com a sua enorme dívida pública e outras questões políticas.
A 22 de Maio, Faye demitiu Sonko do cargo de Primeiro-Ministro. Os aliados de Sonko nomearam-no prontamente presidente do Parlamento e ele continua a ser o líder indiscutível do Pastef, que controla 130 dos 165 lugares na câmara única do Senegal. O antigo Primeiro-Ministro retirou posteriormente o partido Pastef, que fundou, do Governo, deixando o Presidente Faye sem uma plataforma partidária.
Ontem, um tribunal senegalês condenou três influenciadores do TikTok à prisão por publicações que alegadamente insultavam o Presidente Bassirou Diomaye Faye. A sentença gerou críticas por parte de quem afirma que reflecte as crescentes preocupações com a liberdade de expressão no Senegal, nomeadamente na Internet.
Os três influenciadores trabalham com uma plataforma de conteúdos online. Alguns observadores dizem que o conteúdo da plataforma é favorável a Ousmane Sonko.
Cautelas no apoio à candidatura de Macky Sall à ONU
O antigo Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, reagiu de forma reservada à candidatura do seu sucessor, Macky Sall, ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU).
A informação foi revelada pelo jornalista francês Antoine Glaser Soudan, que visitou Wade na sua residência, nos arredores de Versalhes, em França, poucos dias antes do seu centenário, celebrado a 29 de Maio.
Segundo o jornalista, durante o encontro foram discutidos diversos temas internacionais, incluindo os conflitos no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia e a situação de segurança no Sahel. No entanto, Wade evitou pronunciar-se sobre a actualidade política do Senegal.
Questionado sobre a candidatura de Macky Sall para suceder ao actual Secretário-Geral da ONU, António Guterres, o antigo Chefe de Estado limitou-se a responder: “É bom”.
A resposta breve foi interpretada como um sinal da postura cautelosa de Wade em relação aos debates políticos contemporâneos do Senegal. De acordo com Soudan, o antigo Presidente dedica actualmente grande parte do seu tempo à redacção das suas memórias e reflexões pessoais, trabalho que desenvolve diariamente na sua residência.
A eventual candidatura de Macky Sall à liderança das Nações Unidas continua a suscitar debates no Senegal, dividindo opiniões entre apoiantes e críticos do ex-Presidente.




