Presidente Paul Biya toma posse para oitavo mandato

Abuja - O presidente camaronês Paul Biya, de 92 anos, prometeu restaurar a ordem no país assolado pela violência pós-eleitoral, ao tomar posse, quinta-feira, para um oitavo mandato consecutivo.
A BBC, retomada pelo jornal nigeriano Punch, noticiou na quinta-feira que, em seu discurso de posse, o presidente mais velho do mundo endereçou condolências às vítimas dos protestos e culpou aqueles que chamou de “políticos irresponsáveis” pelos distúrbios.
“Posso garantir que a ordem prevalecerá”, prometeu, afirmando que era inútil mergulhar o país em crise.
Após alegações de fraude durante as eleições do mês passado, Biya descreveu o processo eleitoral como satisfatório e elogiou o órgão eleitoral Elecam.
De acordo com os resultados oficiais, o nonagenário obteve 54% dos votos, contra 35% de Issa Tchiroma Bakary, que afirma ser o legítimo vencedor da votação e acusou as autoridades de fraude, por estas negada.
O anúncio do resultado levou a protestos violentos em todo o país, que deixaram pelo menos 14 mortos e mais de 1.200 presos, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos. Outras instituições apresentaram um número de mortos muito maior.
No seu discurso de posse no parlamento do país, na capital Yaoundé, Biya parabenizou as forças de segurança por conterem os protestos, mas não abordou as queixas de uso excessivo da força.
Insistiu que a eleição já era passado, e pediu aos cidadãos que trabalhassem com ele na construção de um país “unido, estável e próspero”.
O presidente prometeu priorizar as questões que afectam mulheres e jovens, com o compromisso de combater a corrupção e os desafios de segurança que têm marcado seu governo ao longo dos anos.
Biya chegou ao poder pela primeira vez em Novembro de 1982, após a renúncia do presidente Ahmadou Ahidjo. Seus críticos afirmam que ele governa o país com mão de ferro desde então. A BBC relata que, antes da posse, várias partes do país foram paralisadas por uma greve geral convocada por Tchiroma Bakary, especialmente em seus redutos de Garoua e Douala.
Afirmou que resistiria até que sua “vitória” fosse reconhecida e prosseguiu instando as potências estrangeiras a impor sanções às autoridades camaronesas devido à recente repressão aos protestos e denúncias de fraude eleitoral.
Os juízes do Conselho Constitucional rejeitaram oito queixas sobre as eleições, alegando insuficiência de provas de irregularidades ou falta de jurisdição para anular os resultados.
O líder do partido Frente Nacional de Salvação, Tchiroma Bakary, foi ministro da informação do governo que rompeu com Biya para desafiá-lo pelo poder.


