Kiev - O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, rejeitou acusações de corrupção após buscas realizadas no fim-de-semana na procuradoria, no âmbito de um caso que envolve centros de atendimento fraudulentos.
Kiev - O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, rejeitou acusações de corrupção após buscas realizadas no fim-de-semana na procuradoria, no âmbito de um caso que envolve centros de atendimento fraudulentos.
A agência anticorrupção ucraniana (NABU) e a procuradoria especializada nestes casos (SAP) anunciaram no sábado o desmantelamento de uma rede de branqueamento de capitais "dirigida por um responsável do gabinete do procurador-geral", onde realizaram buscas.
Os investigadores acusaram a rede de receber dinheiro para proteger centros de atendimento fraudulentos que organizavam esquemas por telefone, "legalizando fortunas que se cifravam em milhões".
Os subornos eram gastos na aquisição de bens imóveis, jóias e outros bens de valor, de acordo com a NABU.
"Rejeito as alegações de que terei participado na recepção de fundos provenientes de centros de atendimento ilegais e no seu branqueamento", afirmou Kravchenko numa mensagem divulgada no domingo à noite, citada hoje pela AFP.
Kravchenko assegurou que as acusações das estruturas anticorrupção "não têm qualquer fundamento" e que efectua despesas "no respeito pela legislação em vigor e pelos rendimentos declarados".
A NABU divulgou fotografias que mostravam um cofre cheio de maços de notas de dólares e precisou ter identificado cinco membros da rede de branqueamento de capitais, sem os nomear.
De acordo com a organização especializada Global Initiative Against Transnational Organized Crime (GI-TOC), o sector dos centros de atendimento fraudulentos emprega quase 60 mil pessoas na Ucrânia, o equivalente a dois terços dos efectivos do sector bancário.
Os centros de atendimento fraudulentos podem gerar até mil milhões de dólares (1 dólar equivale a 912 kwanzas) de receitas por mês.
A corrupção é um problema recorrente na Ucrânia há vários anos e surgiram diversos escândalos de grande dimensão desde o início da invasão russa em 2022, inclusive no seio do exército.
Em Agosto, o Presidente Volodymyr Zelensky exonerou Iryna Mudra, adjunta do seu chefe de gabinete, por envolvimento num caso de branqueamento de capitais.
O braço-direito de Zelensky, Andrii Yermak, foi levado a demitir-se em Novembro de 2025, devido a um caso de desvio de fundos orquestrado por Timur Mindich, um empresário considerado próximo do Presidente.
Mindich está actualmente em fuga no estrangeiro. CV




