Quénia repatria mais de 60 cidadãos da África do Sul por receio de ataques xenófobos

O Governo do Quénia repatriou mais de 60 cidadãos provenientes da África do Sul, devido ao agravamento da violência xenófoba e dos protestos anti-imigração que têm marcado várias cidades sul-africanas. Com esta operação, o número de quenianos retirados do país ascende a 211, depois de outros 151 terem regressado na quinta-feira.
Segundo o Ministério dos Assuntos da Diáspora do Quénia, citado pela agência espanhola EFE, a ministra Roseline Njogu recebeu os repatriados na noite de sexta-feira, tendo sido disponibilizado apoio psicossocial antes do reencontro com os familiares.
Em comunicado, o Governo queniano agradeceu o apoio prestado pela comunidade queniana residente na África do Sul, em particular pela Associação da Diáspora do Quénia na África do Sul (KEDASA), pelo trabalho desenvolvido em coordenação com as equipas consulares e as autoridades sul-africanas durante o processo de retirada.
As autoridades anunciaram ainda que as operações de repatriamento deverão ficar concluídas na próxima quinta-feira, 9 de Julho, a partir de Joanesburgo, apelando aos cidadãos que ainda pretendam regressar para que se registem junto da Embaixada do Quénia em Pretória até ao dia 7 de Julho. Até ao momento, cerca de 240 quenianos solicitaram assistência, beneficiando de alojamento temporário, alimentação, bens essenciais e apoio específico aos grupos mais vulneráveis.
A decisão surge após uma nova vaga de manifestações contra imigrantes, realizadas na última semana em várias cidades sul-africanas. Os protestos, promovidos por grupos anti-imigração, exigiram a saída de estrangeiros em situação irregular e degeneraram em episódios de violência, pilhagens e centenas de detenções.
Embora as autoridades sul-africanas tenham indicado que os protestos resultaram em mais de 900 detenções, persistem divergências sobre o número de vítimas. A polícia confirmou pelo menos uma morte relacionada com os distúrbios, enquanto a ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mmamoloko Kubayi, afirmou que não houve vítimas mortais durante o dia das manifestações.
Os organizadores dos protestos acusam os imigrantes de contribuírem para o desemprego, a criminalidade, a degradação dos serviços públicos e as dificuldades económicas enfrentadas pela África do Sul. Em alguns casos, manifestantes tentaram impedir o acesso de cidadãos estrangeiros a hospitais e estabelecimentos de ensino.
Além do Quénia, países como Zimbabué, Gana, Nigéria, Uganda, Moçambique e Malawi também iniciaram operações para retirar cidadãos que manifestaram receio de permanecer na África do Sul.
O Zimbabué revelou que, desde o final de Maio, mais de 56 mil nacionais regressaram ao país. Destes, mais de 47 mil fizeram-no por iniciativa própria, enquanto cerca de 9.200 receberam apoio directo do Governo zimbabueano.
A África do Sul enfrenta, há vários anos, episódios recorrentes de violência xenófoba contra cidadãos de outros países africanos. O mais grave ocorreu em 2008, quando mais de 60 pessoas morreram. Em 2019, uma nova vaga de ataques provocou pelo menos 18 mortos, reacendendo o debate sobre imigração, segurança e integração social no país.


