RDC e Ruanda comprometem-se em Londres a reduzir tensões e respeitar cessar-fogo no leste do país

Os governos da República Democrática do Congo (RDC) e do Ruanda alcançaram um novo entendimento diplomático em Londres, comprometendo-se a desanuviar as tensões e a respeitar o cessar-fogo na conturbada região leste da RDC. Reunidos no âmbito da sexta reunião do Comité Conjunto de Acompanhamento do Acordo de Paz, assinado originalmente em Junho de 2025, os representantes dos dois países vizinhos procuram traçar um caminho seguro para a estabilidade regional e para a protecção das populações civis severamente afectadas pelo conflito armado.
O encontro de alto nível, que teve lugar na capital britânica, contou com a participação activa e mediação de delegações dos Estados Unidos da América, do Qatar, do Togo e da Comissão da União Africana. Durante as sessões de trabalho, os participantes manifestaram profunda preocupação com a degradação constante da situação humanitária e de segurança na RDC. Foram apontados o aumento dos combates e o impacto devastador dos ataques com drones contra alvos civis como factores de extrema gravidade que ameaçam inviabilizar os esforços de pacificação em curso.
Face ao cenário crítico, que é ainda mais agravado por uma epidemia activa de Ébola na região, Kinshasa e Kigali reafirmaram a intenção de aplicar integralmente as cláusulas do Acordo de Paz de Washington. Entre as medidas imediatas acordadas, destaca-se a redução das hostilidades na zona de Minembwe, onde ambas as capitais prometeram exercer influência sobre os actores locais no terreno para conter a escalada de violência e criar um ambiente propício à assistência humanitária.
Outro ponto crucial do consenso saído de Londres envolve a reestruturação do Mecanismo Conjunto de Verificação Alargado (EJVM+). As duas nações vizinhas decidiram solicitar em conjunto a actualização do mandato desta estrutura, de modo a assegurar a fiscalização efectiva dos compromissos estabelecidos. Paralelamente, os governos reforçaram a importância de apoiar as negociações bilaterais em curso entre o executivo congolês e o movimento AFC/M23, que decorrem sob a égide do processo de Doha, no Qatar.
Por fim, as delegações comprometeram-se a abster-se de discursos hostis nas plataformas diplomáticas e internacionais que possam comprometer a confiança mútua necessária para a consolidação da paz. Uma nova avaliação dos progressos alcançados com estes compromissos está agendada para os próximos quinze dias, reflectindo a urgência na implementação prática das decisões tomadas pelas partes, conforme os dados partilhados pela Rádio Okapi sobre o encontro.


