RDC: Human Rights Watch denuncia o massacre de mais de 140 civis pelo M23

Em um relatório divulgado nesta quarta-feira, 20 de agosto, a Human Rights Watch acusou os rebeldes do M23, apoiados por Ruanda, de executarem mais de 140 civis no leste da República Democrática do Congo em Julho. Segundo a ONU, o número de mortos pode ultrapassar 300.
Entre 10 e 30 de Julho, combatentes do M23 realizaram uma série de ataques mortais em pelo menos catorze aldeias no território de Rutshuru, perto do Parque Nacional de Virunga.
Em 11 de Julho, famílias inteiras foram executadas em Katanga e Kiseguru. Várias testemunhas relatam que mulheres e crianças foram mortas na confluência dos rios Rutshuru e Ivi.
A violência continuou até o final do mês. Em 30 de Julho, civis em Nyabanira que haviam saído em busca de comida foram mortos a tiros, alguns deles encontrados com as mãos amarradas e com ferimentos de bala. A Human Rights Watch registrou pelo menos 140 vítimas, enquanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR) relatou 319 mortes entre 9 e 21 de Julho.
Acredita-se que esses assassinatos façam parte de uma ofensiva do M23 contra as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR). No entanto, como a maioria das vítimas são civis hutus e nandes, a Human Rights Watch alerta para o risco de limpeza étnica.
A organização apela ao Conselho de Segurança da ONU e aos governos para que imponham novas sanções e levem à justiça os comandantes responsáveis por crimes de guerra. Esses massacres, ocorridos poucas semanas após a assinatura de um acordo de paz preliminar entre Kinshasa e Kigali, demonstram a lacuna entre os compromissos diplomáticos e a realidade vivida pelos civis congoleses.


