Adis Abeba - Os rebeldes da região etíope de Tigray colocaram em causa a imparcialidade do mediador da União Africana (UA), o ex-Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, nas conversações para reduzir a tensão dos últimos meses com o Governo da Etiópia.
Adis Abeba - Os rebeldes da região etíope de Tigray colocaram em causa a imparcialidade do mediador da União Africana (UA), o ex-Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, nas conversações para reduzir a tensão dos últimos meses com o Governo da Etiópia.
"Embora mantenhamos o nosso firme compromisso com a paz e um diálogo credível, não encontrámos nele [Obasanjo] o mediador imparcial e proactivo que a gravidade da crise actual exige", declarou a Frente Popular de Libertação do Tigray (FPLT) num comunicado divulgado no domingo.
Em Maio, a FPLT desafiou o Governo etíope ao declarar que restabelecia o Governo regional que vigorava no Tigray antes da guerra - e que era dominado por esse partido -, após ter rejeitado, em Abril, a prorrogação do mandato da Administração Provisória estabelecida pelo acordo de paz que pôs fim ao conflito.
Os rebeldes da região de Tigray travaram uma guerra devastadora contra as forças federais do Governo etíope entre Novembro de 2020 e Novembro de 2022, de acordo com a Lusa.
Segundo a organização, a conduta recente do antigo chefe de Estado nigeriano "tem suscitado cada vez mais dúvidas sobre se age de forma independente ou a pedido do Governo".
A FPLT referiu também a visita de Obasanjo, em Junho, ao Tigray, onde o antigo Presidente nigeriano "manteve longas conversações com as autoridades do Governo do Tigray sobre o reinício do diálogo".
Na altura, embora tivesse prometido regressar no prazo de duas semanas, passaram quase dois meses até à visita seguinte, um atraso que, segundo os rebeldes, o mediador atribuiu ao pedido que Adis Abeba lhe fez para aguardar a conclusão do diálogo nacional convocado pelo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed.
O diálogo nacional - no qual o próprio Obasanjo interveio - decorreu entre 15 de Julho e 22 de Agosto, e não incluiu importantes atores dos conflitos que assolam o país africano, como a própria FPLT e outros, uma vez que ou não foram convidados ou recusaram participar.
"Apesar da rápida deterioração da situação, ele aceitou esta instrução e não tomou qualquer iniciativa visível para impulsionar o processo de mediação", antes de viajar novamente para a região do norte "sem aviso prévio, sem propostas concretas e sem uma agenda claramente definida", lamentou a organização.
A FPLT criticou ainda o facto de tanto a UA como os parceiros internacionais "terem abandonado o processo de implementação" do Acordo de Pretória, que pôs fim à referida guerra quando as partes em conflito o assinaram na capital sul-africana a 02 de Novembro de 2022, sob os auspícios da organização panafricana.
O Governo etíope e a FPLT acusam-se mutuamente, há meses, de realizar acções que poderiam provocar outro conflito, uma escalada que tem alimentado os receios de uma nova guerra na região.
O conflito causou cerca de 600 mil mortos e milhões de deslocados. CV




