Renamo avisa que poderá agir contra bens de sul-africanos em Moçambique

A Renamo ameaçou expropriar empreendimentos pertencentes a cidadãos sul-africanos em Moçambique, caso as autoridades da África do Sul não travem os ataques xenófobos contra moçambicanos naquele país.
O aviso foi deixado pelo porta-voz do principal partido da oposição moçambicana, Marcial Macome, que defendeu o princípio da reciprocidade face à violência registada contra cidadãos de Moçambique em território sul-africano.
Segundo o dirigente, já foi realizado um levantamento dos empreendimentos turísticos pertencentes a sul-africanos em Moçambique que poderão ser alvo de medidas de expropriação.
“Ou a África do Sul pára com isto ou nós também vamos fazer o mesmo aqui. Da mesma forma que o património dos moçambicanos deixado na África do Sul está a ser ocupado pelos sul-africanos, o património dos sul-africanos construído em Moçambique deverá ser ocupado igualmente por estes mesmos moçambicanos”, afirmou Marcial Macome.
A posição da Renamo surge numa altura em que aumentam as preocupações com os ataques contra cidadãos estrangeiros na África do Sul, particularmente moçambicanos.
Por sua vez, o Presidente de Moçambique, , reconheceu que a situação atingiu proporções superiores às inicialmente previstas.
“Nós deslocámo-nos à África do Sul para compreender o fenómeno no terreno e perceber o posicionamento do Governo sul-africano. Achamos que a situação atingiu níveis que não prevíamos que atingisse”, declarou o chefe de Estado.
De acordo com dados oficiais, pelo menos nove moçambicanos perderam a vida nos episódios de violência e mais de mil cidadãos já regressaram ao país, muitos deles sem os seus bens e meios de subsistência.
As declarações da Renamo elevam a tensão em torno da questão migratória e da segurança dos cidadãos moçambicanos residentes na África do Sul, enquanto se aguardam medidas das autoridades sul-africanas para conter os actos de xenofobia.


