Luanda - As tensões entre os Estados Unidos e o Irão, a campanha eleitoral no Brasil, os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra na Ucrânia, a crescente pressão sobre o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a corrida à sucessão do secretário-geral das Nações Unidas marcaram a actualidade internacional durante a semana.
Luanda - As tensões entre os Estados Unidos e o Irão, a campanha eleitoral no Brasil, os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra na Ucrânia, a crescente pressão sobre o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a corrida à sucessão do secretário-geral das Nações Unidas marcaram a actualidade internacional durante a semana.
No Médio Oriente, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova ofensiva económica contra o Irão, que classificou como a “operação económica mais devastadora” alguma vez empreendida contra um país.
Trump advertiu que os países cujas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais prestarem qualquer tipo de apoio económico ao Irão enfrentarão igualmente consequências.
A nova ofensiva visa, entre outros mecanismos, combater o contrabando de petróleo, as operações de câmbio, as transferências de dinheiro, os registos de navios e as empresas-fantasma utilizadas para contornar as sanções norte-americanas.
Em resposta, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou que chegou o momento de pôr fim à guerra com os Estados Unidos, defendendo que Teerão se encontra numa “posição de força e dignidade”.
Entretanto, o Irão autorizou vários petroleiros iraquianos a atravessarem o Estreito de Ormuz, na sequência de uma visita a Teerão do presidente do Parlamento e principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf.
As novas sanções impostas pelos Estados Unidos a Cuba constituíram igualmente uma das principais manchetes da semana, numa medida condenada pelo Governo cubano.
O Presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que Cuba e o seu povo saberão resistir às novas medidas norte-americanas contra a ilha.
A declaração surgiu depois de Washington anunciar sanções contra três funcionários do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), incluindo o seu presidente, Fernando González, e acrescentar nove empresas e entidades cubanas à lista de organizações sancionadas.
Díaz-Canel acusou a Administração norte-americana de intensificar a “perseguição e pressão máxima” contra Cuba e afirmou que os Estados Unidos continuarão naquilo que classificou como uma “vergonhosa lista de Estados genocidas”.
No Brasil, a campanha para as eleições presidenciais brasileiras começou oficialmente esta semana, colocando frente a frente, nas sondagens, o actual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro.
Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), procura conquistar um quarto mandato presidencial não consecutivo, enquanto Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), procura suceder ao actual Presidente.
A primeira sondagem Datafolha divulgada desde o início oficial da campanha atribui 39 por cento das intenções de voto a Lula da Silva, contra 33 por cento para Flávio Bolsonaro.
A primeira volta das eleições está marcada para 4 de Outubro, com 13 candidatos na corrida ao Palácio do Planalto.
Caso nenhum dos candidatos obtenha maioria absoluta, os dois mais votados disputarão a segunda volta, prevista para 25 de Outubro.
Quanto à guerra Rússia/Ucrânia, o Kremlin manifestou disponibilidade para receber mediadores internacionais interessados em contribuir para uma solução política para a guerra na Ucrânia, incluindo representantes dos Estados Unidos e do Vaticano.
O porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que Moscovo valoriza os esforços dos países que demonstram vontade de contribuir para a resolução do conflito.
Peskov indicou, contudo, que ainda não existe uma data definida para uma eventual deslocação à Rússia dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
Paralelamente, o Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu em Moscovo o líder de Myanmar, Min Aung Hlaing, na terceira visita deste à Rússia em dois anos.
Os dois dirigentes destacaram o desenvolvimento das relações bilaterais nos domínios económico, da segurança e da cooperação internacional.
A visita é encarada como mais uma tentativa do chefe da junta militar de Myanmar de obter legitimidade internacional para o Governo instaurado depois do golpe de Estado de 2021.
Na Turquia, o Governo de Ancara solicitou à Interpol a emissão de um alerta vermelho contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no âmbito do processo relacionado com a flotilha para Gaza.
A iniciativa ocorre num contexto de crescente tensão entre Ancara e Telavive e de forte oposição turca às operações militares israelitas no território palestiniano.
Entretanto, os Estados Unidos anunciaram sanções contra a presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), Tomoko Akane, e contra o magistrado senegalês Abdoulaye Seye, que actualmente substitui o procurador do tribunal.
Washington acusou os dois magistrados de participarem em processos contra autoridades de governos que, segundo a Administração norte-americana, não reconhecem a jurisdição do TPI.
Em reacção, o TPI rejeitou as medidas e considerou que as sanções constituem uma ameaça ao Estado de direito e à ordem jurídica internacional.
Na Ásia, os exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul terminaram seis dias antes do previsto, depois de o Presidente Donald Trump os ter considerado um sinal “inadequado e hostil” para a Coreia do Norte.
As manobras, inicialmente previstas até 27 de Agosto, foram reduzidas na sequência das declarações de Trump, que citou igualmente a recusa de Seul em participar nas operações militares contra o Irão.
O Presidente norte-americano invocou ainda a “muito boa relação” que mantém com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.
Nas Nações Unidas, a diplomata guianesa Carolyn Rodrigues-Birkett ultrapassou a costa-riquenha Rebeca Grynspan na segunda votação informal do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre os candidatos à sucessão de António Guterres como secretário-geral da organização.
Rodrigues-Birkett, actual embaixadora da Guiana junto da ONU, recebeu oito votos favoráveis, três contra e quatro sem opinião, entre os 15 membros do Conselho de Segurança.
Rebeca Grynspan obteve sete votos favoráveis, quatro contra e quatro sem opinião, enquanto o argentino Rafael Grossi, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), recebeu igualmente sete votos favoráveis, mas seis contra.
A votação é informal e não vinculativa e serve para medir a evolução da corrida à sucessão de António Guterres.
A escolha do próximo secretário-geral caberá à Assembleia-Geral da ONU, mediante recomendação do Conselho de Segurança, onde os cinco membros permanentes - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia - dispõem de poder de veto. CV




