Lagos - Os grupos armados na Nigéria arrecadaram cerca de 5,8 milhões de dólares em resgates provenientes de sequestros de civis nos últimos 12 meses, contribuindo para a crise de segurança no país, segundo um estudo divulgado pela consultora de segurança SBM Intelligence.
Lagos - Os grupos armados na Nigéria arrecadaram cerca de 5,8 milhões de dólares em resgates provenientes de sequestros de civis nos últimos 12 meses, contribuindo para a crise de segurança no país, segundo um estudo divulgado pela consultora de segurança SBM Intelligence.
O relatório estima que 7.825 pessoas foram sequestradas entre Julho de 2025 e Junho de 2026, um aumento de 66 por cento em relação ao período anterior.
Pelo menos 1.142 pessoas foram mortas, enquanto os pagamentos de resgates confirmados mais do que triplicaram, ao atingir 7,78 mil milhões de nairas, equivalentes a cerca de 5,79 milhões de dólares.
A SBM Intelligence advertiu, contudo, que os números são conservadores, uma vez que muitos pagamentos de resgates não são divulgados publicamente. Os dados foram compilados a partir de informações da imprensa, entrevistas e outras fontes disponíveis.
Segundo o estudo, citado pela Reuters, uma facção do grupo extremista Boko Haram recebeu cerca de 90 por cento dos pagamentos de resgates registados no nordeste da Nigéria, embora o maior número de incidentes e vítimas tenha ocorrido no noroeste do país.
A divulgação do relatório ocorre numa altura em que o Presidente nigeriano, Bola Tinubu, ordenou às forças de segurança o resgate de até 600 civis sequestrados na semana passada no Estado de Níger, centro-norte do país.
O sequestro mediante pagamento de resgate tornou-se um dos principais elementos da crescente crise de segurança na Nigéria, com grupos armados a atacar escolas, aldeias e principais vias rodoviárias.
Entre os sequestradores estão grupos de bandidos fortemente armados e militantes islamitas, que mantêm as vítimas em cativeiro durante semanas ou meses até ao pagamento dos resgates.
A SBM estima que o Boko Haram, também conhecido como Jama'atu Ahlis Sunna Lidda'awati Wal-Jihad, tenha arrecadado cerca de sete mil milhões de nairas, sobretudo através de dois sequestros em massa que envolveram mais de 300 pessoas cada.
Em Novembro, 315 alunos e funcionários foram sequestrados de uma escola em Papiri, no Estado de Níger.
Os estabelecimentos de ensino continuam a ser alvo de ataques, mais de uma década depois do sequestro de estudantes em Chibok, no Estado de Borno, que colocou o fenómeno no centro das atenções internacionais.
“Os sequestros em escolas ressurgiram, com o ataque de Papiri a recuperar uma táctica cujos custos afectam a educação, a agricultura e a confiança pública”, refere o relatório.
A segurança deverá figurar entre as principais questões nas próximas eleições gerais, previstas para Janeiro.
Eleito há três anos, o Presidente Bola Tinubu prometeu combater a insegurança, à semelhança dos seus antecessores. Analistas consideram, porém, que a recente onda de sequestros demonstra a falta de resultados concretos da política adoptada.
A SBM alertou que, sem uma estratégia coordenada para reduzir a rentabilidade dos sequestros e combater as suas causas, a Nigéria corre o risco de consolidar o crime como uma indústria e como fonte de financiamento para grupos que ameaçam a estabilidade do país. CV




