Tanzânia encerra campo e acelera repatriamento de refugiados burundeses sob controvérsia

O campo de refugiados de Nduta, no noroeste da Tanzânia, que acolhia milhares de refugiados oriundos da Burundi, foi encerrado pelas autoridades tanzanianas, numa decisão que está a gerar forte controvérsia entre organizações humanitárias e agências internacionais.
Segundo ativistas e organizações de direitos humanos, o encerramento do campo foi acompanhado pelo repatriamento forçado da maioria dos refugiados, no âmbito de um acordo entre os governos de Dar es Salaam e Bujumbura, que prevê o regresso de cerca de 100 mil cidadãos burundeses até Junho.
De acordo com dados da Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), no final de 2025 estavam acolhidos cerca de 142 mil refugiados burundeses nos campos de Nduta e Nyarugusu, muitos deles fugidos de anos de guerra civil, repressão política e pobreza extrema no seu país de origem.
Organizações como a Coalizão pelos Direitos Humanos/Viver em Campos de Refugiados (CDH/VICAR) denunciam que cerca de 3 mil refugiados que permaneciam em Nduta foram recentemente obrigados a embarcar em veículos para regressar ao Burundi, enquanto apenas um número reduzido de famílias terá sido transferido para Nyarugusu.
As mesmas fontes acusam as autoridades de terem imposto, nos últimos meses, um conjunto de medidas coercivas, incluindo restrições à circulação, pressão para adesão ao processo de repatriamento, condicionamento da assistência humanitária e demolição progressiva de habitações dentro do campo. Relatos de intimidação, detenções e desaparecimentos forçados também foram reportados.
A ONG critica ainda a atuação do ACNUR, acusando a agência de não ter cumprido plenamente o seu mandato de proteção dos refugiados.
Em resposta, o ACNUR confirmou que o encerramento do campo foi decidido pelo governo tanzaniano no quadro de um acordo de repatriamento considerado “voluntário, seguro e digno” entre os países envolvidos. A agência afirma, no entanto, que tem levantado preocupações sempre que surgem indícios de pressão ou abusos.
As autoridades tanzanianas já indicaram que o campo de Nyarugusu deverá também ser encerrado até 30 de junho, o que levanta novas preocupações sobre o futuro dos refugiados ainda no país.


