Trabalhadores agrícolas imigrantes assassinados em posto de combustível na Itália

Um múltiplo homicídio está deixar a Itália em choque, depois de quatro emigrantes que trabalhavam no país no sector agrícola terem sido queimados vivos no interior de um carro num posto de abastecimento de combustível.
O crime ocorreu na segunda feira, 1 de junho, na região de Calábria, quando quatro trabalhadores agrícolas estrangeiros foram trancados num carro e queimados vivos na área de serviço de Amendolara, na estrada estatal 106, conhecida como Jónica.
“Trata se de um episódio de gravidade inédita, tanto pelo número de vítimas — quatro mortos — como pela forma como ocorreu”, comentou em conferência de imprensa o procurador de Castrovillari, Alessandro D’Alessio citado pela Euronews, nesta quinta-feira.
Segundo o procurador as vítimas encontravam se todas em Itália com autorização de residência válida, sem antecedentes criminais e viviam no país há anos.
Os quatro trabalhadores agrícolas mortos são o paquistanês Waseem Khan, de 29 anos, e os afegãos Amin Fazal Khogjani (28), Ullah Ismat Qiemi (19) e Safi Iayjad (27 anos).
As autoridades italianas já reagiram ao crime. “O horrível homicídio dos quatro trabalhadores agrícolas na Calábria abalou nos a todos. (…) A Itália não recua perante a violência e a barbárie: é fundamental esclarecer plenamente este crime terrível e levar todos os responsáveis à justiça”, escreveu no X a primeira ministra italiana, Giorgia Meloni.
Os investigadores conseguiram identificar os homens graças aos documentos encontrados no apartamento onde viviam com outros migrantes, entre os quais Mohammad Taj Alamyar, um afegão de 35 anos, em Itália há cerca de um ano, que é o único sobrevivente. Viu morrer diante dos seus olhos quatro trabalhadores agrícolas como ele, três afegãos e um paquistanês. Coberto de ligaduras, acusa sem hesitar os seus carrascos, numa entrevista à televisão pública Rai: “É máfia, máfia… São mafiosos paquistaneses”.
O trabalhador agrícola contou que os dois homens detidos, acusados de homicídio voluntário, eram os que exigiam dinheiro pelo transporte, que as vítimas se recusavam a pagar. Na reacção os dois terão primeiro lançado gasolina no habitáculo e depois um isqueiro.
O afegão acrescentou que os cidadãos paquistaneses o ameaçavam a ele e aos outros com facas e pistolas para os obrigar a trabalhar e que não pagavam: “O dinheiro não nos davam; comida sim, casa sim, mas dinheiro não”.


