Mogadíscio - A tropas federais da Somália expulsaram hoje os combatentes da oposição da cidade de Baidoa, uma das maiores do país, após várias horas de intensos confrontos que provocaram numerosas mortes, segundo testemunhas citadas pela Reuters.
Mogadíscio - A tropas federais da Somália expulsaram hoje os combatentes da oposição da cidade de Baidoa, uma das maiores do país, após várias horas de intensos confrontos que provocaram numerosas mortes, segundo testemunhas citadas pela Reuters.
Os combates, considerados pela população como os mais violentos desde Março, envolveram as forças federais e combatentes leais ao antigo presidente do estado do Sudoeste, Abdiaziz Hassan Mohamed Laftagareen.
Baidoa alberga centenas de milhares de pessoas deslocadas devido ao conflito e à fome noutras regiões da Somália, enfrentando actualmente uma grave crise humanitária.
O ministério da Defesa somali informou que as tropas federais foram atacadas antes do amanhecer por combatentes que utilizavam veículos carregados de explosivos, tendo repelido o ataque e abatido cerca de 30 elementos.
Vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela Reuters mostram soldados federais a disparar a partir de um veículo blindado, enquanto civis transportavam feridos pelas ruas da cidade.
Quatro habitantes confirmaram que as forças federais expulsaram os combatentes da oposição do centro de Baidoa e relataram a presença de cadáveres nas ruas.
“Vi 10 mortos, incluindo quatro civis e seis soldados dos dois grupos”, declarou à Reuters o ancião local Farah Ibrahim.
O grupo ligado a Laftagareen, que anunciou através das redes sociais ter tomado o controlo do centro da cidade, não estava imediatamente disponível para comentar a situação.
Os confrontos ocorrem num contexto de crescente tensão entre o Governo federal e administrações regionais, que contestam a influência de Mogadíscio nas eleições estaduais e as alterações constitucionais que, segundo estas, concentram poderes no Executivo.
O Governo federal enfrenta igualmente há cerca de duas décadas a insurgência do grupo extremista Al-Shabaab e dificuldades para conter a crise alimentar no país.
A situação humanitária em Baidoa é particularmente preocupante. Um inquérito realizado em Julho pela organização médica francesa Médicos Sem Fronteiras indicou que uma em cada quatro crianças nos centros de deslocados apresenta desnutrição grave. CV




