Ancara - O Governo da Turquia negou hoje uma denúncia israelita de que Ancara estaria a prepara-se para enviar tropas à Síria, após ataques a uma base militar neste país.
Ancara - O Governo da Turquia negou hoje uma denúncia israelita de que Ancara estaria a prepara-se para enviar tropas à Síria, após ataques a uma base militar neste país.
“As acusações infundadas do gabinete do primeiro-ministro israelita visam a legitimar os ataques aéreos ilegais de Israel, que violam a soberania e integridade territorial da Síria”, declarou a direcção de comunicação turca, citada pela agência estatal Anadolu.
Segundo o Governo israelita, a Síria violou um acordo ao aceitar a presença de tropas turcas numa base no noroeste do país. Os Estados Unidos criticaram um ataque a essa base e o atribuíram a Israel, que não reivindicou a sua autoria.
Os “ataques aéreos israelitas contra a base aérea de Abu al-Duhur constituem uma escalada desnecessária, que não contribui para a estabilidade regional”, publicou no X o representante especial dos Estados Unidos para a Síria, Tom Barrack, citado pela AFP.
“Incentivamos todas as partes a priorizar o discurso racional em vez de novos incidentes militares”, salientou
O ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria condenou “nos termos mais enérgicos” o “acto de agressão injustificada”.
Antes, a televisão estatal síria, que citou uma fonte militar não identificada, havia informado que “aviões da ocupação israelita atacaram durante a manhã a pista do aeroporto militar de Abu Duhur com oito bombardeamentos”.
Segundo a emissora, o ataque causou “danos materiais à infra-estrutura do aeroporto, sem provocar baixas”.
A diplomacia síria também pediu que a comunidade internacional e o Conselho de Segurança da ONU adoptem “uma posição firme contra as violações reiteradas de Israel à soberania síria”.
Israel faz incursões frequentes em território sírio desde o derrube do Presidente Bashar al-Assad, em Dezembro de 2024, por uma coligação islamita liderada pelo actual governante do país, Ahmed al-Sharaa.
Também enviou soldados a uma zona vigiada pela ONU para separar as forças sírias e israelitas nas Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967.
O aeroporto atacado está fora de operação desde 2012 e permanece sob guarda de forças do ministério da Defesa sírio, indicou uma fonte das forças de segurança.
Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, os bombardeamentos de terça-feira aconteceram após “a visita de uma delegação militar turca ao aeroporto nos últimos dias, como parte dos esforços para reabrir o local”.
A Turquia, cujas relações com Israel se deterioraram em consequência da guerra na Faixa de Gaza, é uma aliada importante das novas autoridades sírias. CV




