UA reafirma “tolerância zero” a golpes de Estado e apela à paz no continente

Os chefes de Estado que participaram na Cimeira da União Africana (UA) deixaram hoje, 15, uma mensagem firme de “tolerância zero” a mudanças inconstitucionais de governo no continente africano e enfatizaram a necessidade de impor limites aos conflitos armados.
Na sessão de encerramento, Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da UA, destacou que estas posições foram claramente assumidas pela Assembleia da UA, o órgão supremo da organização composto pelos chefes de Estado e de Governo dos 55 países membros, que se reúne anualmente para definir políticas, prioridades e estratégias continentais.
Ao longo dos dois dias de trabalhos, a situação na Guiné-Bissau, suspensa da União Africana após o golpe militar de novembro de 2025, foi várias vezes abordada, com apelos urgentes ao regresso da ordem institucional e ao respeito pelo Estado de direito.
O foco na paz e segurança também foi sublinhado pelo Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que nesta cimeira assumiu a presidência rotativa da UA, sucedendo a Angola. Em conferência de imprensa de encerramento, Ndayishimiye afirmou que terá como prioridade a paz, a estabilidade e o desenvolvimento industrial, destacando a importância de “silenciar as armas” no continente.
O presidente burundiano referiu-se em particular ao conflito na República Democrática do Congo (RDCongo) e ao terrorismo na região do Sahel, sublinhando a necessidade de cumprimento dos acordos de cessar-fogo.
“Há um acordo para cessar na RDCongo que foi assinado pelas partes, então é preciso cumpri-lo”, afirmou Ndayishimiye, alertando que a implementação exige também que as forças estrangeiras regressem aos seus países, numa referência ao apoio do Ruanda ao movimento M23, e que “nenhuma das partes retome os combates”.
A cimeira reforçou assim o compromisso da União Africana com a estabilidade política e a segurança no continente, enviando uma mensagem clara contra golpes de Estado e conflitos armados, e promovendo o respeito às instituições e ao Estado de direito.


