O ministro da Defesa do Uganda afirmou, ontem, que as suas tropas vão permanecer na Somália, apesar da crescente incerteza sobre o futuro da missão da União Africana, ao abrigo de um acordo bilateral pré-existente.
O Uganda tem aproximadamente 4.500 militares, no país no âmbito da Missão de Apoio e Estabilização da União Africana na Somália (AUSSOM), a principal força de apoio ao Exército somali, e outros 2.000 no âmbito de um acordo bilateral, disse uma fonte militar à AFP.
No entanto, o futuro da AUSSOM foi posto em dúvida depois de Washington ter anunciado que iria terminar os pagamentos ao Gabinete de Apoio das Nações Unidas na Somália (UNSOS), que fornece uma logística crucial para a missão até ao final do ano.
Ontem, o ministro da Defesa do Uganda, Kiryowa Kiwanuka, disse à AFP que "Uganda vai permanecer na Somália", recusando-se a dar mais pormenores, mas indicando que a sua presença seria fora da AUSSOM. “O acordo que teremos sobre a forma como permaneceremos na Somália ainda está em desenvolvimento, mas... já temos uma força lá, em virtude de um acordo bilateral com a Somália”, disse.
Mogadíscio e Kampala assinaram um acordo bilateral no final de 2024 sobre o destacamento de um número não especificado de tropas do exército ugandense a partir de 2025. Outro responsável militar, que pediu anonimato, disse à AFP que entende que outras nações - incluindo o Quénia, a Etiópia e o Egipto - pretendem manter tropas na Somália em 2027.
Kiwanuka falou à AFP no final da reunião da Força de Alerta da África Oriental (EASF) na capital ugandesa Kampala, que também discutiu sobre as consequências da falta de financiamento. "A estabilidade da Somália, a estabilidade da África afectam-nos, por isso precisamos de encontrar os recursos", disse Kiwanuka.
Os ministros da Defesa dos países que compõem a AUSSOM - Burundi, Djibuti, Egipto, Etiópia, Quénia e Uganda - e da Somália sublinharam a necessidade de uma saída "ordenada e coordenada" da missão da UA para que esta possa ser transferida para as forças somalis. Isto acontece numa altura em que a Somália, profundamente fragmentada, enfrenta mais uma crise política, após a decisão do Presidente Hassan Sheikh Mohamud de alterar a constituição em Março, antes das eleições previstas, decisão essa que foi denunciada como uma tomada de poder pelos seus opositores.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou para a situação de "desnutrição aguda" que metade das crianças da cidade de Baidoa, no Sul da Somália, enfrenta numa crise de fome marcada pelo conflito, pelas deslocações forçadas e pela seca.
Companhia aérea volta a voar mais de 30 anos depois
A Somália planeia relançar a sua companhia aérea nacional, a Somali Airlines, em Setembro, mais de três décadas depois de a empresa, conhecida como “Estrela Branca”, ter interrompido as suas operações no meio do colapso do Governo do Presidente Siad Barre e da subsequente guerra civil.
Ahmed Moallin Hassan, director-geral da Autoridade de Aviação Civil da Somália (SCAA), afirmou que a Somali Airlines chegou à fase final dos preparativos e que a expectativa é que o primeiro voo seja realizado em Setembro.
“A Somali Airlines está na fase final”, disse Hassan, durante uma reunião do Governo. “Acredito que o primeiro voo será realizado em Setembro. Se Deus quiser, vamos começar este ano.” Hassan fez o anúncio durante uma reunião do Governo para avaliar os preparativos para o relatório de desempenho da Somália referente ao período de 2022 a 2026.
A Somali Airlines, anteriormente conhecida como “Estrela Branca”, suspendeu as suas operações em 1991, após a queda do Governo do Presidente Siad Barre, que mergulhou a Somália em décadas de conflito. A companhia aérea operava voos domésticos e internacionais, ligando a Somália a destinos em África, Europa e Médio Oriente.
Agora, o Governo prepara-se para trazer a companhia aérea nacional de volta, como parte de um esforço mais amplo para reconstruir o sector da aviação do país.
A Somália afirmou no ano passado que a companhia aérea reactivada teria uma frota de cinco aviões, enquanto o ministro dos Transportes, Mohamed Farah, anunciou, em Julho de 2025 que o país tinha adquirido aviões Airbus A320 para a empresa.




