Vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa denunciado por supostamente propor uso de armas nucleares contra o Irão

O vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, tenente-general Marco Serronha, foi denunciado ao Comité Internacional da Cruz Vermelha, (CICR) pela Associação Portuguesa dos Juristas Democratas (APJD), por suposta violação grave dos princípios fundamentais do Movimento da Cruz Vermelha e do Direito Internacional Humanitário.
De acordo com uma nota de imprensa que O País teve acesso, a denúncia, cuja cópia foi remetida à Cruz Vermelha Portuguesa, fundamenta-se em declarações públicas que terão sido proferidas por Marco Serronha enquanto comentador militar da CNN Portugal, nas quais propôs o uso de armas nucleares contra a República Islâmica do irão.
Segundo o denunciante, durante o seu comentário, o tenente-general terá proferido declarações que a APJD considera como uma violação flagrante e simultânea dos princípios fundamentais da Cruz Vermelha, nomeadamente os princípios da humanidade, imparcialidade, neutralidade e independência, além de considerar uma apologia de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
«Mandar três bombas atómicas no sítio certo e a guerra acaba de um dia para o outro» e que o procedimento deveria ser «repetido a cada cinco anos», qualificando como «positivos» ataques deliberados contra civis iranianos, conforme lê-se na nota.
Face a esta situação a Associação solicitou ao Comité Internacional da Cruz Vermelha que abra um processo de averiguação sobre o comportamento público do tenente-general Marco Serronha; determine a incompatibilidade da sua manutenção nos quadros da Cruz vermelha Portuguesa; exija à Cruz Vermelha Portuguesa uma posição pública de demarcação e adopção de medidas disciplinares; reafirme publicamente o compromisso do Movimento com os princípios humanitários e o respeito pelo Direito Internacional Humanitário; e que garanta que nenhum dirigente do Movimento pode promover a violação dos direitos humanos sem consequências institucionais


