Violência volta a eclodir no leste da RDC dias após acordo de paz

Kinshasa - A escalada da violência no leste da República Democrática do Congo (RDC) intensificou-se rapidamente desde a última terça-feira, atingindo as cidades de Katogota, Kamanyola e diversas áreas vizinhas, noticiou o portal AfricaNews.
No sábado, confrontos particularmente violentos foram registados na região de Luvungi, na planície de Ruzizi, resultando na morte de cerca de 20 civis, segundo fontes locais.
“Estamos a caminhar em direcção a localidade de Uvira. Pedimos às autoridades que nos ajudem a acabar com esta guerra! Queremos voltar para casa e viver como todos os outros. Muitas pessoas morreram por causa dos bombardeamentos. Eu sobrevivi com os meus filhos”, relata Aline Sambuka, uma das centenas de deslocados que fogem da nova onda de ataques.
O ressurgimento dos combates ocorre poucos dias após a assinatura, em Washington, de um acordo de paz entre o Presidente congolês Félix Tshisekedi e o homólogo rwandês Paul Kagame. O pacto, que deveria abrir caminho para uma trégua, já é visto pelos habitantes e analistas como “reduzido a cinzas”.
As Forças Armadas da RDC (FARDC) e o grupo rebelde M23 trocam acusações mútuas sobre quem estaria a violar o cessar-fogo — uma trégua que, na prática, nunca chegou a se concretizar. Enquanto isso, o M23 reforça as posições no Norte, e o exército congolês intensifica as operações no sul, agravando ainda mais o clima de tensão.
A deterioração da segurança reacende os receios de uma crise humanitária ainda maior. As organizações humanitárias locais alertam para o aumento do número de deslocados internos e para o risco crescente enfrentado pela população civil, que continua presa no fogo cruzado de um conflito que parece longe de terminar.


