Violência xenófoba leva Gana a recusar visita de Cyril Ramaphosa

O agravamento da violência xenófoba na África do Sul levou o Governo do Gana a adiar a visita de Estado do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, numa decisão que reflecte o impacto diplomático da crise e a preocupação de Acra com a segurança dos seus cidadãos.
Segundo fontes governamentais citadas pela Reuters, a visita, inicialmente prevista para Agosto, foi suspensa devido ao clima de tensão provocado pelos recentes ataques contra cidadãos estrangeiros em território sul-africano. O Executivo ganês considera que o actual contexto não reúne condições para a realização de um encontro ao mais alto nível.
De acordo com o porta-voz do Governo do Gana, Felix Kwakye Ofosu, o adiamento visa evitar possíveis manifestações populares e permitir que as relações bilaterais prossigam num ambiente mais favorável. Apesar da decisão, Acra garante que mantém o compromisso de preservar os laços diplomáticos com Pretória.
A medida surge na sequência de uma onda de protestos anti-imigração que, embora tenha começado de forma pacífica, evoluiu para episódios de violência, com ataques a cidadãos estrangeiros e pilhagens de estabelecimentos comerciais pertencentes a imigrantes.
Nas últimas semanas, o Gana repatriou centenas de cidadãos residentes na África do Sul, depois de um movimento anti-imigração ter lançado um ultimato para a saída de estrangeiros em situação irregular. As autoridades ganesas manifestaram ainda preocupação com a morte de um cidadão do país durante os protestos, embora a polícia sul-africana afirme que o caso não esteve directamente relacionado com os ataques xenófobos.
Perante este cenário, Acra instou Pretória a adoptar medidas concretas para travar a violência e garantir a protecção dos cidadãos estrangeiros antes da realização de futuras visitas de alto nível.
Entretanto, a Presidência da África do Sul reafirmou a intenção de continuar a trabalhar com o Governo ganês para reagendar o encontro, sublinhando o interesse de ambos os países em preservar as relações bilaterais e reforçar a cooperação entre os dois Estados.



