Paris - A presidente da Comissão Europeia exortou hoje a União Europeia (UE) a chegar a acordo, até ao final do ano, sobre a União da Poupança e do Investimento e admitiu que o projecto avance sem todos os 27 Estados-membros.
Paris - A presidente da Comissão Europeia exortou hoje a União Europeia (UE) a chegar a acordo, até ao final do ano, sobre a União da Poupança e do Investimento e admitiu que o projecto avance sem todos os 27 Estados-membros.
"Precisamos agora de chegar a um acordo, antes do final do ano, idealmente com os 27 Estados-membros. Ou, se necessário, com aqueles que estiverem preparados", afirmou Ursula von der Leyen, quando discursava no Encontro dos Empresários de França, em Paris.
Neste discurso, a responsável mencionou a União da Poupança e do Investimento como uma resposta à dificuldade de as empresas europeias obterem financiamento para crescer, numa altura em que Bruxelas procura reforçar a competitividade da economia europeia face aos seus principais concorrentes, Estados Unidos e China.
"Na Europa, não faltam tecnologia nem poupanças, mas falta-nos capacidade para fazer crescer as nossas empresas", afirmou, alertando que demasiadas empresas europeias acabam por procurar financiamento fora da UE, deslocar o seu centro de gravidade ou ser adquiridas por investidores estrangeiros.
Adoptada em Março de 2025 pela Comissão Europeia sob responsabilidade da comissária portuguesa Maria Luís Albuquerque, a estratégia da União da Poupança e do Investimento visa aproximar as poupanças dos cidadãos dos investimentos produtivos, através de uma maior integração dos mercados de capitais e de melhores opções de financiamento para as empresas, de acordo com a Lusa.
O executivo comunitário estima que a plena concretização das medidas possa mobilizar até 470 mil milhões de euros adicionais de investimento por ano, canalizando uma maior parcela das poupanças europeias para empresas e projectos dentro da União.
Von der Leyen destacou que existem actualmente cerca de 10 biliões de euros (1 euro equivale a 1.064 kwanzas) de poupanças das famílias europeias depositados em contas bancárias, enquanto uma parte significativa das poupanças europeias é investida fora da UE.
A estratégia inclui, por isso, propostas para reformar o mercado de titularização, facilitar o investimento de bancos e seguradoras e aprofundar a integração e supervisão dos mercados financeiros.
Apesar de existir um consenso sobre a necessidade de aprofundar os mercados de capitais europeus, permanecem divergências entre os países da UE sobre a forma de o fazer, nomeadamente em torno da supervisão financeira e da transferência de competências do nível nacional para o europeu.
Von der Leyen admitiu, assim, que o projecto avance sem todos os 27, já que as regras da UE permitem que, perante bloqueios, os Estados-membros interessados possam recorrer ao mecanismo de cooperação reforçada para certas iniciativas.
A Irlanda, que assume a presidência rotativa do Conselho da UE no segundo semestre de 2026, tem defendido que é possível alcançar um compromisso até ao final do ano.
A pressão para avançar surge num contexto de preocupação com a competitividade europeia.
O relatório do antigo primeiro-ministro italiano Mario Draghi sobre o futuro da competitividade da UE estimou necessidades de investimento adicionais na ordem dos 750 a 800 mil milhões de euros por ano.
Nesta intervenção, Von der Leyen especificou que a UE tem, actualmente, um défice comercial com a China que ronda quase mil milhões de euros por dia, após uma subida de 10% no início deste ano, e que em 2025 foram iniciadas mais de 30 novas investigações comunitárias sobre alegados subsídios chineses ilegais.
Ainda assim, a responsável apontou que "o principal factor que limita a competitividade e a independência" da UE diz respeito aos preços da energia, que continuam a ser duas ou três vezes superiores aos dos Estados Unidos ou da China. CV




