Académicos e especialistas em Relações Exteriores defenderam, terça-feira, em Luanda, maior investimento no sector da Educação, de modo a fortalecer a soberania de África, valorizar os recursos naturais e promover o desenvolvimento sustentável.
O posicionamento foi manifestado momentos antes do arranque da Oficina do Conhecimento sobre “Os Desafios da União Africana na Prevenção e Resolução de Conflitos em África”.
Em declarações à imprensa, o professor Bernardino Neto defendeu o fortalecimento de estudos e a produção de conhecimento sobre o próprio continente, sobretudo nas instituições de ensino superior.
O académico considerou fundamental recuperar valores, experiências e conhecimentos produzidos pelos africanos, de modo a permitir melhor compreensão dos desafios e das potencialidades de África.
O economista Afonso Malaca apontou o financiamento das instituições africanas como um dos principais desafios para a afirmação da soberania do continente.Na visão do economista, é necessário criar e reforçar mecanismos de financiamento interno, aumentando assim a capacidade contributiva dos Estados africanos e das organizações continentais.
Liberdade económica
Por seu turno, o especialista em Relações Internacionais Osvaldo Isata considera que a soberania africana passa necessariamente pela conquista da liberdade económica.
Para o académico, os indicadores macroeconómicos são importantes, mas devem estar associados à realidade concreta das sociedades africanas e às necessidades das populações. Osvaldo Isata lamentou o reduzido volume de negócios entre os próprios países africanos, apesar das relações comerciais significativas existentes entre África e outras regiões do mundo.
Participação mais activa da Igreja
O reverendo Ntoni Nzinga defendeu uma participação mais activa da Igreja na construção da paz em África.
Para o religioso, a paz não deve ser entendida apenas como o fim dos conflitos armados, considerando o silenciar das armas apenas, mas o início de um processo mais amplo de reconciliação e convivência social. “A paz tem que ser a vida harmoniosa de um povo, de pessoas que vivem no mesmo espaço”, defendeu.



