“África já não é apenas futuro é presente de oportunidades”, diz João Lourenço

O Presidente da República e Presidente em Exercício da União Africana, João Lourenço, defendeu hoje em Nova Iorque, durante a mesa redonda de alto nível Nações Unidas – União Africana, o papel central do sector privado na viabilização do potencial económico do continente africano, sublinhando que África “não deve ser vista apenas como o continente do futuro, mas como uma realidade presente de crescimento e de oportunidades”.
No seu discurso, o Chefe de Estado destacou que a criação de um ambiente de negócios favorável, através da modernização de infraestruturas, da boa governação, da estabilidade macroeconómica e da desburocratização, tem permitido aumentar a atractividade do continente para investimentos sustentáveis.
“Tenho razões de sobra para convidar os investidores a olharem para África não apenas como fornecedora de matérias-primas, mas como a nova fronteira de transformação produtiva, de inovação tecnológica e de competitividade global”, afirmou João Lourenço
Entre os pontos centrais, o Presidente destacou a importância da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que integra mais de 1,3 mil milhões de consumidores e representa um Produto Interno Bruto superior a 3 biliões de dólares. Para João Lourenço, a ZCLCA constitui “a maior oportunidade económica do nosso tempo”, capaz de dinamizar a industrialização, gerar emprego qualificado e consolidar cadeias de valor regionais.
O Chefe de Estado frisou ainda que o modelo histórico de investimentos focado apenas em indústrias extrativas deve ser ultrapassado, dando lugar a parcerias estratégicas em setores como agroindústria, mineração com valor acrescentado, transformação produtiva e cadeias industriais capazes de reter riqueza dentro do continente.
João Lourenço defendeu também o recurso a Parcerias Público-Privadas (PPP) para financiar e expandir infraestruturas críticas nos domínios da energia, transportes, telecomunicações e água, permitindo aliviar a pressão sobre os orçamentos públicos e acelerar o acesso da população a serviços essenciais.
“África dispõe de recursos naturais abundantes, uma população jovem e mercados em rápido crescimento. Estes factores, aliados à integração regional, oferecem condições únicas para atrair investimentos e consolidar um crescimento inclusivo e sustentável”, concluiu.


