Agostinho Van-Dúnem destaca legado de Fernando da Piedade Dias dos Santos e recorda episódio marcante da diplomacia angolana

Luanda – O embaixador de Angola nos Estados Unidos da América e antigo deputado do MPLA, Agostinho Van-Dúnem, prestou uma sentida homenagem a Fernando da Piedade Dias dos Santos, destacando o seu legado humano, político e institucional, bem como a serenidade e capacidade de gestão de crises que marcaram o antigo Primeiro-Ministro e ex-Presidente da Assembleia Nacional.
Numa nota de pesar tornada pública a partir de Washington, Van-Dúnem evocou um episódio ocorrido em 2008, à margem da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada em Sharm el-Sheikh, no Egipto, que considera decisivo para a relação de cumplicidade e respeito que manteve com o dirigente angolano, carinhosamente tratado por “Camarada Nandó”.
Segundo o diplomata, o encontro decorreu num contexto de forte tensão política no continente africano, motivada pelas divergências em torno da eventual condenação e exclusão do então Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, após eleições controversas. Por instruções do Presidente José Eduardo dos Santos, Agostinho Van-Dúnem foi incumbido de transmitir mensagens a vários Chefes de Estado africanos, cartas que seriam formalmente entregues por Fernando da Piedade Dias dos Santos, chefe da delegação angolana.
Foi durante uma audiência com o Presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, que ocorreu o episódio que marcaria profundamente os presentes. No momento em que o estadista zambiano começou a ler a carta que lhe fora entregue, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), vindo a falecer dias depois. Perante o choque e a comoção generalizada, Fernando da Piedade Dias dos Santos manteve a serenidade, apelando à calma num dos momentos mais difíceis vividos pela delegação angolana.
Para Van-Dúnem, esse episódio simboliza traços que sempre associou ao antigo dirigente: tranquilidade, sabedoria, capacidade de liderança em contextos de crise e profundo sentido de humanidade. Uma postura que, segundo refere, voltou a observar mais tarde, já na Assembleia Nacional, quando Fernando da Piedade Dias dos Santos exercia as funções de Presidente do Parlamento e ele próprio dava os primeiros passos como deputado.
Na homenagem, o embaixador sublinha ainda a abertura ao diálogo, incluindo com a oposição, a paciência para ouvir pontos de vista divergentes e a habilidade de gerir tensões políticas sem abdicar do humor e do respeito institucional.
Agostinho Van-Dúnem considera que, com a morte de Fernando da Piedade Dias dos Santos, Angola perde uma referência maior na promoção da reconciliação nacional, da paz e do desenvolvimento, mas realça que o seu legado continuará a inspirar gerações futuras.
À família enlutada, o diplomata endereçou sentimentos de profundo pesar e solidariedade, reafirmando a gratidão duradoura pelo exemplo deixado pelo histórico dirigente angolano.


