Alemanha vai apoiar Angola na formação e criação de emprego

Em Luanda, João Lourenço e Frank-Walter Steinmeier reforçaram a cooperação entre Angola e Alemanha, com foco na formação profissional, na criação de emprego e no fortalecimento das relações económicas e diplomáticas.
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, recebeu esta quarta-feira (05.11), em Luanda, o seu homólogo da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que se encontra em visita oficial ao país até amanhã.
Ao som do hino da Alemanha, decorreu a cerimónia de boas-vindas, com João Lourenço a receber o Presidente alemão e a sua delegação, que inclui representantes de empresas interessadas em investir em Angola.
Trata-se da primeira visita oficial de um Presidente alemão a Angola, iniciada na noite de terça-feira (04.11), quando Steinmeier aterrou em Luanda. Antes do encontro no Palácio Presidencial, o chefe de Estado alemão depositou uma coroa de flores no sarcófago de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola.
Aposta na formação técnico-profissional
Durante o encontro, ambos os presidentes elogiaram as relações entre os dois países, reconhecendo o potencial para uma cooperação mais intensa. Angola demonstrou interesse nos investimentos alemães, sobretudo pela criação de empregos e pelo contributo que podem trazer na área da formação técnico-profissional.
Em declarações à imprensa, e respondendo a uma pergunta da DW, o Presidente Frank-Walter Steinmeier destacou que a Alemanha está disponível para apoiar Angola na formação de mão-de-obra qualificada, sublinhando a necessidade de projetos que criem postos de trabalho e promovam o desenvolvimento.
"Durante o nosso encontro, o Presidente João Lourenço manifestou interesse em mais investimentos particularmente no setor da saúde. Ele espera que, com os investimentos bem-sucedidos que estão a ter lugar, outras empresas também fiquem interessadas em olhar para o mercado angolano. O mercado que, com investimento de empresas alemãs, não só cria postos de trabalho, como também traz capacidades de formação, algo que será bastante útil para a jovem geração que cresce rapidamente", frisou o chefe de Estado alemão.
Quase em tom de resposta, João Lourenço saudou a posição do homólogo alemão, sublinhando que a cooperação bilateral deve traduzir-se em oportunidades concretas para a juventude angolana:
"Quanto maior for o nível de cooperação, isso reflete-se diretamente no aumento exponencial na oferta de trabalho para os nossos jovens. O Presidente Frank-Walter Steinmeier acaba de tocar num assunto muito importante, que é a formação técnica e profissional, para a nossa juventude estar melhor capacitada a poder ocupar as ofertas de emprego que possam aparecer no país".
Parceria entre Lufthansa e TAAG
Durante a visita, os dois países assinaram um contrato com a companhia aérea Lufthansa para a reestruturação da transportadora angolana TAAG, e um memorando de entendimento para a criação de um polo de agrodesenvolvimento industrial em Angola.
Steinmeier felicitou João Lourenço pelo aniversário da independência de Angola e reafirmou "a vontade de aprofundar as relações bilaterais” e intensificar o intercâmbio, destacando que os dois países têm uma parceria "sólida e de longa data".
O Presidente alemão elogiou também o papel de Angola na África Austral, afirmando que "o Presidente João Lourenço e o seu país são atores indispensáveis na integração política e na promoção da paz e segurança na região", reconhecendo o "trabalho de liderança diplomática e política" do chefe de Estado angolano enquanto Presidente em exercício da União Africana.
Frank-Walter Steinmeier defendeu ainda a reforma das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, apoiando a inclusão de países africanos como membros permanentes e não permanentes, e reiterou que Angola e Alemanha "estão interessadas numa ordem internacional baseada em regras, que hoje está sob ameaça".
A visita do Presidente alemão a Angola termina amanhã, com uma deslocação ao Corredor do Lobito, um projeto em que empresários alemães também já manifestaram interesse.
Angola deixou de fazer parte do foco da política alemã"
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