O Alto Representante para a Iniciativa Silenciar as Armas do Presidente da Comissão da União Africana, Mohamed Ibn Chambas, defendeu, esta quinta-feira, em Luanda, o reforço da governação da água em África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos.
Ao intervir na 4.ª edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, agradeceu a hospitalidade angolana e enalteceu a constância do Presidente da República, João Lourenço, no compromisso com a consolidação da paz.
O responsável considerou que a escassez de água e as dificuldades na gestão deste recurso, agravadas pelas alterações climáticas, podem gerar deslocações internas de populações e conflitos de natureza socioeconómica. Por isso, defendeu uma abordagem integrada que coloque a água no centro das estratégias de prevenção e resolução de conflitos no continente.
Segundo explicou, o tema desta edição, “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos em África”, enquadra-se plenamente no tema adoptado pela União Africana para 2026, centrado na garantia da disponibilidade sustentável de água potável e saneamento para alcançar os objectivos da Agenda 2063.
Sublinhou ainda que esta visão está alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para o Horizonte 2030 e com as aspirações da Agenda 2063 da União Africana, em particular com a iniciativa Silenciar as Armas até 2030.
Ao abordar o Projecto de Acesso à Água Potável e ao Saneamento (PEPA), destacou tratar-se de uma iniciativa destinada a promover o acesso à água e ao saneamento resilientes às alterações climáticas. Neste contexto, saudou a contribuição da União Africana, especialmente através do Departamento de Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, que seleccionou o Burundi como país-piloto para a implementação do projecto.
De acordo com o responsável, a iniciativa, centrada nos domínios da água, saneamento e higiene (WASH), pretende garantir o acesso universal à água potável no Burundi, facilitar a frequência escolar das crianças nas zonas rurais e melhorar o acesso a serviços resilientes às alterações climáticas, frequentemente associadas ao surgimento de crises e conflitos.
Na ocasião, Mohamed Chambas , congratulou-se com a escolha do Burundi para acolher iniciativas de reforço de capacidades nos sectores da energia, água potável e saneamento, salientando que a água constitui um elemento essencial para a vida e o desenvolvimento das crianças.
No plano continental, o Alto Representante encorajou os Estados-Membros da União Africana, a Comissão da União Africana e as Comunidades Económicas Regionais a reforçarem os mecanismos de prevenção e resolução de conflitos através da diplomacia da água, da integração regional e da promoção de uma cultura de paz.
Mohamed Ibn Chambas defendeu também uma gestão concertada das bacias hidrográficas transfronteiriças e dos demais recursos hídricos, como forma de assegurar uma utilização sustentável.
Paralelamente, apelou à adopção de mecanismos técnicos e económicos inovadores, bem como ao reforço dos investimentos públicos e privados em infra-estruturas de água e saneamento.




