Alves da Rocha: em 50 anos de independência Angola não criou condições de crescimento económico

O economista Alves da Rocha considerou “inaceitável” que Angola não tenha conseguido em 50 anos de independência criar condições de crescimento da economia visando multiplicar o emprego e subir o salário mínimo nacional.
“É inaceitável é que, de facto, ainda não tenhamos conseguido, ao fim de 50 anos [de independência], criar condições de crescimento da economia para que posa multiplicar o emprego e decuplicar os salários”, afirmou esta Quarta-feira o também docente e director do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), quando questionado pela Lusa sobre o salário mínimo nacional.
Em declarações à margem do Angola Economic Fórum (AEF -2025), que se iniciou em Luanda e decorre até Sexta-feira, Alves da Rocha referiu, por exemplo, não entender por que razão o actual salário mínimo em Angola está actualmente fixado nos 50 mil kwanzas, salvaguardando que é necessário balancear “o montante do salário mínimo com as condições da economia”
Angola, para o economista, “deve saber definir os seus desafios e lidar com eles de forma faseada, para se conseguir melhorar as condições de vida das populações”, referindo que a componente do salário mínimo nacional “é uma das matérias de grande desafio para o país”.
“O salário, o consumo das famílias, são factores de desenvolvimento”, observou, salientando que as condições de vida da população e a taxa de inflação devem ser as metodologias para a elaboração do salário mínimo.
O Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) de Angola anunciou, na Terça-feira, que a partir de 16 de Setembro todas as empresas do país devem passar a pagar o novo salário mínimo nacional, correspondente a 100 mil kwanzas, com excepção das microempresas e ‘startups’, para as quais fica fixado em 50 mil kwanzas.
Alves da Rocha frisou que o actual salário praticado em Angola não é compatível com a condições de vida dos cidadãos.
“Celebramos a História, Impulsionamos o Futuro da Economia” é o lema do AEF-2025, alusivo aos 50 anos de independência de Angola, que serão assinalados a 11 de Novembro de 2025.
Sobre o percurso económico de Angola após meio século de independência, o director CEIC da Universidade Católica de Angola (UCAN) insistiu que a economia do país vive enormes desafios em vários domínios.
De acordo com o especialista, o desenvolvimento económico e social em Angola, nas condições presentes, não é suficiente, porque, sustentou, não basta que o país tenha recursos naturais, “mas é necessário que se atentam a outros domínios, nomeadamente ao nível da estratégia política e do capital humano”.
Questionado sobre se as actuais políticas públicas respondem aos desafios do país, o economista referiu que estas “respondem a alguns desafios”, observando que outros são muito mais complexos e exigem mais reflexão e mais trabalho”.
O director do CEIC considera necessário, para enfrentar os desafios, “num mundo tão complexo e interdependente”, a acumulação de conhecimentos nos domínios científico e de inovação tecnológica.
“E nós aqui [em Angola] ainda não temos uma base de acumulação de conhecimentos. Ao nível do conhecimento científico, tecnológico, da inovação, há iniciativas, há um ministério que tem de coordenar isso, mas é impossível ganhar essa luta se não sabermos definir os desafios e lidar com eles de forma faseada”, concluiu Alves da Rocha, um dos coordenadores técnicos da AEF-2025.
A economia angolana na visão dos nacionalistas: um olhar sobre o passado, presente e o futuro, história económica de Angola: uma avaliação sobre as opções de políticas económicas no pós-independência e investimento público em cuidados de saúde em Angola são alguns dos temas que estarão em discussão neste fórum, que conta com mais de 70 oradores.
A terceira edição do Angola Economic Fórum é uma realização do Kwanza Economics e da PetroAngola.


